Médica relata esforço para salvar torcedor durante jogo do Brasil em Goiânia

A atuação de profissionais de saúde em situações de emergência ganhou um novo contorno tecnológico e humano após o atendimento de um torcedor de 60 anos, que faleceu durante a partida entre Brasil e Japão, em Goiânia. A médica Nágylla de la Rocha, responsável por orientar o resgate via chamada de vídeo, descreveu a experiência como uma imersão na cena do incidente, mesmo estando fisicamente distante, no centro de regulação do Samu.
A transição do diagnóstico via chamada de vídeo
O chamado inicial, registrado na última segunda-feira (29), indicava um traumatismo cranioencefálico decorrente de uma queda de cadeira em uma padaria no Setor Marista. No entanto, ao interagir com quem estava no local, a médica percebeu que o quadro era muito mais grave. Ao ser informada de que o paciente apresentava cianose — a coloração arroxeada da pele —, Nágylla descartou o trauma como causa primária e identificou uma parada cardiorrespiratória.
Diante da urgência, a profissional utilizou seu telefone pessoal para estabelecer uma conexão visual com o solicitante. A medida permitiu que ela monitorasse em tempo real a qualidade das manobras de reanimação. “Através da chamada de vídeo, é como se eu estivesse na cena, salvando aquela vida também. Pude observar como estavam sendo feitas as compressões e orientar que fossem efetivas”, relatou a médica ao g1.
A importância técnica das compressões torácicas
O suporte imediato é o diferencial entre a vida e a morte em casos de colapso cardíaco. Nágylla explica que a massagem cardíaca atua como uma bomba manual, garantindo que o sangue oxigenado continue circulando para o cérebro e órgãos vitais enquanto a equipe especializada não chega. Mesmo sem treinamento prévio, o solicitante seguiu as instruções precisas da médica, mantendo o fluxo sanguíneo do paciente.
A equipe do Samu que se deslocou até a padaria persistiu por cerca de uma hora na tentativa de reanimação. A médica Tânia Cristina de Sousa Machado, que liderou o atendimento presencial, informou que o idoso chegou a apresentar sinais de retorno à vida quatro vezes após receber choques de desfibrilador. Contudo, o quadro evoluiu para uma assistolia, com o óbito sendo constatado às 15h20.
Repercussão e educação em saúde
Embora o desfecho tenha sido trágico, o caso levanta um debate necessário sobre a educação em primeiros socorros. A médica destaca que, para profissionais da saúde, a manobra é rotineira, mas para o cidadão comum, o momento é de desespero e desconhecimento. A divulgação da conduta adotada serve como um alerta sobre a importância de manter a calma e seguir orientações técnicas em emergências.
O corpo do torcedor foi encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbito. A postura da equipe do Samu em utilizar todos os recursos disponíveis, incluindo a tecnologia de vídeo, reforça o compromisso com a preservação da vida. O Parlamento continua acompanhando os desdobramentos de casos que impactam a saúde pública e a segurança da população, trazendo sempre informações apuradas e o contexto necessário para a compreensão dos fatos.



