Ponte centenária em goiás viajou 2,5 quilômetros rio abaixo e guarda marcas de tiros

A história da engenharia brasileira guarda episódios surpreendentes, e um dos mais marcantes aconteceu no interior de Goiás. Uma estrutura com mais de um século de existência precisou ser completamente desmontada e transportada por 2,5 quilômetros rio abaixo para continuar cumprindo sua função de ligação entre estados, carregando consigo cicatrizes de antigos conflitos armados e uma trajetória que começou na Alemanha.
engenharia alemã e o desafio da travessia
Batizada de Ponte Pênsil Affonso Penna, a estrutura foi inaugurada em 1909 sobre o Rio Paranaíba, na divisa entre Goiás e Minas Gerais, na cidade de Itumbiara. Considerada uma das pontes suspensas mais antigas do país, sua trajetória teve início na Europa, onde as peças metálicas foram fabricadas antes de cruzarem o Oceano Atlântico de navio rumo ao Rio de Janeiro.
De lá, o material seguiu por ferrovias até Minas Gerais. Contudo, devido à ausência de linhas férreas até o destino final, a etapa derradeira do transporte exigiu o uso de carros de boi para desbravar o interior brasileiro até a instalação definitiva sobre o leito fluvial.
marcas de conflitos históricos na estrutura
Além da imponência arquitetônica para a época, a construção tornou-se testemunha ocular de momentos decisivos da política nacional. A estrutura esteve no centro dos acontecimentos durante as revoluções de 1930 e 1932, servindo de cenário para confrontos armados que marcaram o período.
Conforme registros da prefeitura local, perfurações de balas provocadas durante os combates da Revolução de 1932 permanecem cravadas na estrutura metálica até os dias atuais. Esses registros físicos transformaram a passagem em um monumento vivo da história republicana brasileira.
mudança de endereço rio abaixo
O capítulo mais curioso da ponte ocorreu em 1974, quando a construção da Usina Hidrelétrica de Itumbiara exigiu a reformulação do sistema viário da região. Para evitar a perda do patrimônio, equipes de engenharia realizaram a proeza de desmontar toda a estrutura de ferro e aço, transportando os componentes em barcaças por cerca de 2,5 quilômetros.
Reerguida em um novo ponto, a ponte recebeu novos pilares de sustentação, enquanto parte dos elementos originais permaneceu na localização inicial. Para mais detalhes sobre o patrimônio histórico nacional, consulte a página oficial do Iphan.
patrimônio cultural preservado
O reconhecimento oficial da importância histórica veio em 2012, quando o Iphan aprovou o tombamento da estrutura como patrimônio cultural brasileiro. Hoje, a travessia permanece como um dos maiores símbolos de Itumbiara, unindo passado e presente às margens do Rio Paranaíba.
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