Goiás

PSDB de Marconi Perillo perde força em Goiás e fica sem representação na Câmara Federal

O cenário político de Goiás nas eleições de 2026 consolidou uma mudança profunda na correlação de forças partidárias que dominou o estado por décadas. O PSDB, sob a liderança do ex-governador Marconi Perillo, enfrentou um dos seus momentos mais críticos ao não conseguir eleger nenhum representante para a Câmara dos Deputados. O resultado marca o esvaziamento de uma legenda que já foi a principal potência eleitoral goiana e agora luta para manter sua relevância institucional.

A estratégia da Federação PSDB Cidadania, que visava retomar espaço no cenário nacional, esbarrou em um desempenho nas urnas aquém do esperado. Sem alcançar o quociente eleitoral necessário, a chapa tucana viu suas principais apostas naufragarem, deixando o partido sem voz direta no Congresso Nacional a partir da próxima legislatura. Este desfecho não apenas altera o peso do partido nas decisões em Brasília, mas também impõe uma reflexão interna sobre os rumos da sigla em solo goiano.

Federação PSDB Cidadania não alcança quociente eleitoral em Goiás

A matemática eleitoral foi implacável com a coligação tucana. Ao final da apuração, a Federação PSDB Cidadania somou um total de 130.186 votos em todo o estado de Goiás. Desse montante, o PSDB foi responsável por 124.889 votos, enquanto o Cidadania contribuiu com apenas 5.297 votos. Apesar de parecer um número expressivo de eleitores, o total foi insuficiente para garantir sequer uma das cadeiras destinadas à bancada goiana na Câmara Federal.

O sistema de representação proporcional exige que os partidos ou federações atinjam um patamar mínimo de votos para participar da distribuição de vagas. Ao não atingir esse quociente, todos os candidatos da chapa, independentemente de suas votações individuais, ficam de fora da lista de eleitos. Segundo dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral, a fragmentação do voto e a ausência de um “puxador de votos” de grande expressão foram determinantes para este isolamento parlamentar.

Professor Alcides acumula novo revés após derrota em Aparecida de Goiânia

A maior frustração da chapa recai sobre o deputado federal Professor Alcides. Principal nome da federação para a disputa, Alcides buscava a reeleição para manter seu assento em Brasília, mas terminou o pleito com 61.685 votos. Embora tenha sido o mais votado do grupo, o desempenho individual não foi capaz de carregar a legenda para a vitória. O resultado representa um golpe político significativo para o parlamentar, que já vinha de um desgaste recente.

Este é o segundo revés eleitoral consecutivo de Professor Alcides em um curto intervalo de tempo. Em 2024, ele foi derrotado na disputa pela Prefeitura de Aparecida de Goiânia, cidade que é sua principal base política e empresarial. A perda do mandato federal agora retira Alcides do centro das decisões políticas, deixando-o sem cargo eletivo pela primeira vez em anos. Além dele, outros nomes como Adair Henriques, conhecido como Vovô do Jeep, e Itamar Leão, obtiveram votações na casa dos 15 mil votos, reforçando a dificuldade da chapa em pulverizar o apoio popular.

Desistências e falta de renovação marcam campanha tucana

A trajetória da campanha do PSDB em 2026 foi acidentada desde o início. O partido enfrentou uma série de baixas importantes que enfraqueceram a competitividade da chapa proporcional. Nomes que eram considerados fundamentais para encorpar a votação da legenda, como Jeferson Rodrigues, Henrique Arantes e Flávia Teles, desistiram da disputa ao longo do processo. Essas defecções foram registradas pela imprensa local e sinalizaram, precocemente, uma desarticulação interna que se refletiu nas urnas.

A dificuldade em atrair e manter quadros competitivos expõe um problema crônico de renovação dentro do ninho tucano em Goiás. Com figuras tradicionais perdendo espaço e novos nomes encontrando dificuldades para se consolidar, o partido parece ter ficado estagnado em fórmulas políticas que já não encontram a mesma ressonância de outrora junto ao eleitorado goiano, que tem buscado alternativas em novas lideranças de diferentes espectros políticos.

Rejeição a Marconi Perillo e os desafios de sobrevivência da sigla

No centro da crise de identidade do PSDB está a figura de Marconi Perillo. Embora ainda seja o principal articulador e líder da sigla, o ex-governador carrega um índice de rejeição que, segundo pesquisas realizadas durante o período eleitoral, girava em torno de 40%. Essa resistência de uma parcela significativa do eleitorado acaba funcionando como um teto para o crescimento dos candidatos que se vinculam diretamente à sua imagem.

Politicamente, o resultado das eleições de 2026 é um divisor de águas. Sem representação na Câmara dos Deputados, o PSDB de Goiás perde acesso a recursos importantes do fundo partidário e tempo de televisão, além de ver diminuída sua capacidade de influenciar políticas públicas federais que beneficiem o estado. O desafio agora é entender como reoxigenar a sigla e diminuir o impacto da rejeição histórica para tentar uma sobrevivência política nos próximos ciclos eleitorais.

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