Com 127 eleitas, presença feminina no Congresso cresce mas trava em 21% das cadeiras

O Congresso Nacional projeta iniciar a legislatura de 2027 com uma presença feminina recorde, totalizando 127 parlamentares em exercício. O número, que engloba as 109 deputadas federais eleitas no último domingo (4) e uma bancada de 18 mulheres no Senado, sinaliza um avanço na representatividade política brasileira, ainda que o percentual total permaneça distante da paridade de gênero na ocupação dos espaços de poder.
Avanço na Câmara dos Deputados e recorde no Senado
Na Câmara dos Deputados, a eleição de 109 mulheres representa 21,2% das 513 cadeiras disponíveis. O resultado marca um crescimento expressivo em comparação ao pleito de 2022, quando 91 mulheres conquistaram mandatos, ocupando 17,7% da Casa. Esse incremento de 18 parlamentares reflete uma expansão de quase 20% na bancada feminina eleita, um movimento que especialistas apontam como reflexo de políticas de incentivo e maior engajamento partidário.
No Senado Federal, o cenário é de recorde histórico. Com 12 mulheres eleitas para as 54 vagas em disputa, o país registra o maior número de senadoras escolhidas em um único pleito desde a redemocratização. O desempenho supera a marca de 2002, quando oito mulheres foram eleitas para a Casa. Entre as novas senadoras estão nomes como Bia Kicis (PL-DF), Michelle Bolsonaro (PL-DF), Marília Arraes (PDT-PE) e Teresa Surita (MDB-RR), que se somam a parlamentares com mandatos vigentes até 2031, como Damares Alves (Republicanos-DF) e Tereza Cristina (PP-MS).
O papel das suplências e a estabilidade da bancada
A projeção de 127 mulheres no total do Congresso não é definitiva e depende de variáveis políticas, especialmente no Senado. Das 18 cadeiras projetadas para mulheres, duas são ocupadas por suplentes: Jussara Lima (PSD-PI) e Lourdinha Pereira (PSB-MA). A permanência delas no exercício do mandato está condicionada ao afastamento dos titulares, o que introduz uma camada de instabilidade na contagem final da bancada feminina.
Caso a composição atual seja mantida, as mulheres representarão 21,4% dos 594 parlamentares do Congresso. Se as suplentes deixarem seus postos, o número total pode sofrer uma leve redução, chegando a 125 parlamentares. A situação da senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), que disputa o governo do Tocantins, também é monitorada, embora a estrutura da chapa garanta que, em caso de vacância, a vaga seja ocupada por outra mulher, mantendo a representatividade no estado.
Marco inédito no Distrito Federal
Um dos fatos mais notáveis desta eleição ocorreu no Distrito Federal. Pela primeira vez na história, uma unidade da Federação terá a totalidade de suas cadeiras no Senado ocupadas por mulheres. Com a eleição de Bia Kicis e Michelle Bolsonaro, somadas ao mandato de Damares Alves, o DF consolida um marco simbólico importante para a política nacional.
Apesar desses avanços, a sub-representação feminina continua sendo um desafio estrutural. Com pouco mais de um quinto das cadeiras ocupadas por mulheres, o Brasil ainda enfrenta dificuldades para atingir patamares de igualdade observados em outros países da América Latina e da Europa. O acompanhamento detalhado dessas movimentações e o impacto dessas parlamentares nas decisões legislativas podem ser conferidos diariamente no portal O Parlamento, que segue comprometido em levar a você uma cobertura aprofundada, imparcial e contextualizada sobre os rumos do poder no país.




