Carlos Viana aciona STF e pede prisão de Andrei Rodrigues após denúncia de espionagem

O senador Carlos Viana (PSD-MG) formalizou, nesta terça-feira (8), um pedido de prisão contra o diretor-geral afastado da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues. A medida, encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), surge como desdobramento de uma crise institucional envolvendo a suposta produção de relatórios de inteligência pela corporação sobre o ministro André Mendonça. Além da detenção, o parlamentar busca apurações rigorosas sobre o comando da PF.
Investigação sobre relatórios de inteligência e conduta da PF
A ofensiva de Viana ocorre poucas horas após o ministro André Mendonça determinar o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. O senador argumenta que a utilização da estrutura estatal para monitorar um integrante da Suprema Corte configura um precedente grave. “Se um diretor da Polícia Federal monitora ilegalmente um ministro do STF, imaginem o que se faz contra os cidadãos comuns e até mesmo contra um senador e uma senadora aqui no Congresso Nacional”, declarou o parlamentar em coletiva de imprensa.
O parlamentar protocolou requerimentos junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Corregedoria da Polícia Federal. O objetivo é identificar a origem dos documentos, os responsáveis pela elaboração e a finalidade do material produzido entre 3 e 31 de agosto. Viana sustenta que a permanência dos investigados nos cargos poderia comprometer a integridade das apurações, defendendo que o afastamento é uma medida necessária para garantir a transparência do processo.
Contexto da crise e desdobramentos no Supremo
A decisão de André Mendonça baseou-se na identificação de seis relatórios que detalhavam sua atuação e vínculos com o advogado-geral da União, Jorge Messias. Tais documentos teriam sido utilizados pelo ministro Alexandre de Moraes em uma petição anterior contra Mendonça, sob suspeita de interferência em investigações envolvendo o Banco Master. Embora tenha ordenado o afastamento, Mendonça negou, por ora, o pedido de prisão preventiva apresentado pelo partido Novo.
A 2ª Turma do STF iniciou a análise para referendar o afastamento da cúpula da PF. O julgamento, contudo, foi suspenso após um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, mantendo o cenário de incerteza sobre o comando da corporação. A situação reacende debates sobre os limites da inteligência policial e a autonomia das instituições frente ao Poder Judiciário.
Pressão política e atuação no Senado
Paralelamente à crise na PF, Carlos Viana ampliou sua atuação no Senado. O parlamentar enviou um ofício à ministra Cármen Lúcia cobrando uma posição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sobre a instalação do Conselho de Ética. O foco é investigar a conduta de Alcolumbre diante dos pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes, tema que tem gerado intensos embates entre a oposição e a Mesa Diretora.
Viana também solicitou a convocação de dirigentes da PF para prestar esclarecimentos ao Legislativo e enviou requerimentos de informação ao Ministério da Justiça. O senador defende ainda o afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, em casos específicos, e reiterou pedidos para que o presidente do STF, Edson Fachin, avalie o afastamento de Moraes. A movimentação reflete a tentativa da oposição de elevar o tom contra o que classificam como abusos institucionais.
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Para mais detalhes sobre as decisões do STF, consulte o portal oficial do Supremo Tribunal Federal.




