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PL vira balcão de negócios em Goiás e Wilder de Morais entra na frigideira

A chegada da deputada federal Magda Mofap, de Caldas Novas, ao PL de Valdemar Costa Neto não é apenas uma troca partidária protocolar. Nos bastidores de Brasília e de Goiânia, a leitura é outra: a movimentação teria como pano de fundo esvaziar a candidatura do senador Wilder de Morais ao governo de Goiás e alinhar o partido a um acordo mais amplo costurado pelo governador Ronaldo Caiado (UB).

Articulação em Brasília e o plano Caiado–MDB

Nesta semana, Caiado intensificou articulações junto à cúpula nacional do PL para fechar entendimento com a candidatura de Daniel Vilela (MDB), atual vice-governador e nome “abençoado” pelo governador para a sucessão estadual. O recado, segundo interlocutores, é claro: o PL entraria no arranjo, reduzindo o espaço de Wilder e redesenhando o tabuleiro de 2026.

Wilder fora do baralho?

Apesar de anunciar pré-candidatura e percorrer o estado, Wilder de Morais vem sendo tratado, nos bastidores, como carta descartável. Há quem diga que o senador estaria fazendo “papel de figurante” nas mãos dos caciques partidários. Outros vão além: afirmam que Magda Mofap teria garantias de uma reeleição mais fácil, com apoio irrestrito de Caiado e Daniel Vilela, em troca de ajudar a neutralizar a ofensiva de Wilder dentro do PL.

Reação e risco de ruptura

O senador, porém, não parece disposto a engolir o roteiro. Pessoas próximas relatam que Wilder já acionou a família Bolsonaro e busca consolidar apoio especialmente no entorno do senador Flávio Bolsonaro, preparando o terreno para uma ruptura ampla no PL goiano. A avaliação é que o partido já se encontra fragmentado, com trocas de acusações, deserções silenciosas e desconfiança generalizada.

Professor Alcides e a crise interna

A crise ganha contornos mais graves com a pressão para afastar o deputado federal Professor Alcides Ribeiro. Lideranças denunciam uma tentativa de “higienização” interna para abrir espaço a grupos econômicos e acordos de cúpula, vendendo o partido como moeda de negociação no estado. O resultado é um PL sem coesão, refém de arranjos externos e cada vez mais distante de uma estratégia própria.
O que está em jogo
Se confirmadas as articulações, o PL corre o risco de perder protagonismo em Goiás, trocando um projeto eleitoral competitivo por acordos circunstanciais. Para Wilder, o custo é alto: ou enfrenta o sistema e radicaliza o discurso com apoio bolsonarista, ou assiste à própria candidatura ser esvaziada. Para o eleitor, fica a pergunta central: quem comanda o PL em Goiás — o partido ou os acordos de gabinete?

A disputa está longe do fim.

Mas uma coisa já é evidente: o PL goiano vive sua maior crise, e a entrada de Magda Mofap, longe de pacificar, acentuou a fritura interna e expôs o jogo pesado da sucessão estadual.

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