Câmara Municipal de Aparecida: acabou até o pó de café

Na Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia, a frase mais repetida nos corredores já não é sobre projetos, debates ou leis. O assunto dominante é a falta: não tem pó de café, não tem açúcar, não tem papel higiênico, detergente ou sabonete líquido nos banheiros. Assessores reclamam que a escassez chegou para valer e virou rotina dentro da Casa.
Cortes de pessoal sem explicação
Na última semana, o presidente da Câmara, vereador Gilsão Meu Povo, anunciou em reunião com os parlamentares a dispensa de dois assessores por gabinete, alegando falta de recursos. A medida gerou desconforto e surpresa, já que nunca se ouviu falar em tamanha contenção administrativa em uma Casa Legislativa que sempre foi considerada robusta financeiramente.
Comparação com a gestão passada
A situação chama ainda mais atenção quando comparada à gestão do ex-presidente André Fortaleza, que, segundo registros, concluiu a construção da nova sede da Câmara e mobiliou o prédio, gastando cerca de R$ 9 milhões do próprio orçamento do Legislativo. Naquele período, não havia notícia de falta de insumos básicos nem de cortes drásticos de pessoal.
Verba constitucional em xeque
Nos bastidores, a pergunta que ecoa é: o prefeito cortou a verba da Câmara? A transferência de recursos ao Legislativo é constitucional, e até o momento o presidente Gilsão não explicou claramente o motivo do sumiço do dinheiro. Entre os vereadores, alguns preferem aplaudir o prefeito, enquanto outros pressionam o presidente a dar satisfações.
Tem coisa errada que não está certa
O episódio escancara uma crise de gestão administrativa e levanta suspeitas sobre a transparência na aplicação dos recursos públicos. Se antes a Casa era símbolo de autonomia, hoje se tornou alvo de piadas e críticas por não conseguir garantir sequer café e papel higiênico para o funcionamento básico.
A população e os servidores da Câmara querem respostas: para onde foi o dinheiro?



