O ataque no subsolo: amiga de corretora morta em Goiás relata que vítima não percebeu a maldade do síndico
O brutal assassinato da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, em Caldas Novas (GO), ganha um contorno ainda mais sombrio com a revelação de um vídeo que registra os momentos finais da vítima. A gravação, analisada pela Polícia Civil, mostra o ataque perpetrado pelo síndico Cléber Rosa de Oliveira no subsolo do prédio. Segundo Georgiana dos Passos Silva, amiga próxima de Daiane, a corretora não teria percebido a “maldade” na aproximação de seu agressor, acreditando ser apenas mais uma situação trivial no cotidiano do condomínio.
A percepção de Georgiana, obtida após assistir ao vídeo divulgado pela polícia, lança luz sobre a inocência de Daiane diante da iminência do crime. “Ela chega a comentar no vídeo: ‘olha quem eu encontrei aqui embaixo’. Naquele momento, acreditava que seria apenas mais um corte de energia, como ele já havia feito outras vezes, e não percebeu qualquer maldade”, relatou a amiga, em depoimento que choca pela confiança depositada no agressor. Essa aparente normalidade antes da agressão ressalta a traição de uma figura que deveria zelar pela segurança e bem-estar dos moradores.
Os últimos instantes e a prova digital
Daiane Alves Souza, natural de Uberlândia (MG) e residente em Caldas Novas há dois anos para gerenciar locações de apartamentos da família, desceu ao subsolo do edifício na noite de 17 de dezembro de 2023. O motivo era um problema na energia de um dos imóveis. Acostumada a documentar situações para sua amiga Georgiana, Daiane gravava vídeos em tempo real. Essa prática, que antes era uma forma de comunicação, tornou-se a ferramenta crucial para a elucidação de seu próprio assassinato.
O vídeo que flagra o ataque, no entanto, não chegou a ser enviado. Recuperado dias depois, o material revela os detalhes do planejamento do síndico. O delegado João Paulo Mendes explicou que Cléber “estava com luvas nas duas mãos e com a capota (da caminhonete) aberta. Ele posicionou o carro mais próximo ao local onde pretendia render a Daiane”. A descrição dos preparativos reforça a premeditação e a frieza do crime, contrastando com a percepção desarmada da vítima.
A cronologia do crime e a investigação
O desaparecimento de Daiane gerou apreensão por mais de 40 dias. Seu corpo foi finalmente encontrado em uma área de mata em Caldas Novas. A polícia, após intensa investigação, chegou a Cléber Rosa de Oliveira. Preso em 28 de janeiro, o síndico confessou o assassinato e indicou o local onde havia abandonado o corpo. A confissão foi um passo crucial, mas a complexidade do caso exigia mais provas.
A grande virada na investigação ocorreu em 30 de janeiro, quando o aparelho celular da vítima foi encontrado em uma tubulação de esgoto do prédio – o local exato foi apontado pelo síndico já detido. O aparelho permaneceu escondido por 41 dias. A recuperação do celular e do vídeo contido nele foi fundamental para entender a dinâmica do ataque. “Pelas imagens, ela consegue filmá-lo e é possível ver detalhes, mas ninguém imagina que alguém seria capaz de planejar algo como ele fez”, complementou Georgiana, ainda em choque com as revelações da gravação.
Detalhes da perícia e envolvimento familiar
A perícia, conduzida pela Polícia Científica, determinou que Daiane foi morta com dois tiros na cabeça, disparados por uma pistola .380 semiautomática, provavelmente fora do prédio, como salientou o delegado André Luiz Barbosa. “A perícia mostrou claramente que qualquer disparo dado seria ouvido na recepção do prédio”, informou. Um dos projéteis ficou alojado na cabeça e o outro atravessou o olho esquerdo da vítima, conforme detalhado pelo superintendente Ricardo Matos.
Inicialmente, Maicon Douglas de Oliveira, filho do síndico, também foi preso sob suspeita de ajudar na ocultação de provas. Contudo, as investigações subsequentes descartaram seu envolvimento direto no crime, e ele foi liberado. A defesa de Cléber Rosa de Oliveira, por sua vez, informou que ainda aguarda acesso a todos os documentos e ao relatório final da investigação para se manifestar de forma mais abrangente sobre o caso.
Repercussão, segurança e a quebra de confiança
O caso de Daiane Alves Souza e a revelação do vídeo de seus últimos momentos repercutem não apenas em Caldas Novas, mas também em todo o país. O assassinato, perpetrado por um síndico — uma figura de autoridade e confiança em qualquer condomínio — acende um alerta sobre a segurança em ambientes residenciais e a vulnerabilidade das vítimas diante de agressões premeditadas. A narrativa da amiga, de que Daiane não “percebeu a maldade”, ecoa a fragilidade da confiança e a impossibilidade de prever a crueldade humana em situações corriqueiras.
Este crime trágico ressalta a importância da atenção a sinais de comportamento anômalo e a necessidade de sistemas de segurança eficientes, como câmeras, que se tornaram um elemento-chave na elucidação deste caso. Além disso, reacende o debate sobre a violência contra a mulher e como espaços que deveriam ser seguros, como a própria residência, podem se tornar palco de tragédias quando a confiança é quebrada.
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Fonte: https://g1.globo.com




