Médica é investigada por orientar retenção de pacientes em hospital de Goiânia

O Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, localizado em Goiânia, tornou-se o centro de uma polêmica após a circulação de mensagens atribuídas à médica Marcella Segato de Sousa Melo. Em um grupo privado de profissionais de saúde, a profissional, que ocupava o cargo de chefia na ginecologia e obstetrícia, teria orientado seus colegas a não concederem alta hospitalar a pacientes durante o fim de semana das eleições, sob a justificativa de que a maioria seria composta por “petistas”.
A repercussão do caso foi imediata, levando o Ministério Público Federal a formalizar uma denúncia contra a médica. O episódio levanta discussões sobre os limites da conduta ética profissional e a necessidade de separar convicções políticas da prática assistencial no Sistema Único de Saúde (SUS), que deve ser regido pela impessoalidade e pelo atendimento técnico.
Afastamento e apuração administrativa
Após a divulgação dos prints, que foram obtidos pela TV Anhanguera, a administração do hospital agiu prontamente. Em nota oficial, a unidade confirmou que a médica foi afastada da escala de plantão. A instituição enfatizou que as declarações foram feitas em um ambiente privado e não refletem, de forma alguma, o posicionamento da gestão ou da administração do hospital.
O hospital reforçou que todas as decisões sobre internação e alta devem ser pautadas exclusivamente por critérios clínicos, técnicos e de segurança do paciente. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia também se manifestou, declarando que adotou as medidas administrativas cabíveis para apurar a conduta e reforçou junto às equipes a obrigatoriedade de um atendimento ético e isonômico a todos os usuários do sistema público.
Posicionamento do conselho de classe
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou, por meio de nota, que as denúncias sobre a conduta ética da profissional estão sendo devidamente apuradas. O órgão destacou que o processo tramita sob sigilo, conforme as normas vigentes, e que solicitou esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição citada no caso.
A ética médica, pautada pelo Código de Ética Médica, veda qualquer tipo de discriminação no exercício da profissão. A tentativa de interferir no fluxo de altas hospitalares com base em ideologias políticas é vista por especialistas como uma violação grave dos deveres fundamentais do médico para com o paciente, independentemente de sua orientação política, religiosa ou social.
Impacto no atendimento ao SUS
O caso expõe a fragilidade das instituições diante de comportamentos individuais que podem comprometer a imagem do serviço público. A garantia de que o paciente receba alta no momento tecnicamente adequado é um direito fundamental, e qualquer manobra que atrase esse processo por motivos alheios à saúde configura um desvio de finalidade na gestão hospitalar.
Acompanhe as atualizações deste caso e outras notícias relevantes sobre o cenário regional e nacional em O Parlamento. Nosso compromisso é levar até você informações apuradas, contextualizadas e com o rigor jornalístico que a sociedade exige para a construção de um debate público qualificado.
Para mais informações sobre o funcionamento do sistema de saúde, consulte o portal oficial do Ministério da Saúde.




