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Médica é demitida após sugerir retenção de pacientes por motivação política em Goiânia

A Maternidade Célia Câmara, em Goiânia, confirmou na última quarta-feira (7) o desligamento da médica ginecologista e obstetra Marcella Segato de Sousa Melo. A decisão da unidade hospitalar ocorreu após a repercussão de mensagens enviadas pela profissional em um grupo de WhatsApp, no qual ela sugeria que colegas de profissão evitassem dar alta a pacientes internadas na enfermaria, sob a justificativa de que a maioria seria composta por eleitoras ou simpatizantes do Partido dos Trabalhadores (PT).

O episódio, que gerou indignação pública e mobilizou órgãos de controle, ocorreu no dia 2 de outubro, antecedendo o primeiro turno das eleições. Nos prints que circularam em redes sociais e foram exibidos pela TV Anhanguera, a médica escreveu: “Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta para ninguém, a maioria é petista”. A mensagem recebeu reações de outros participantes do grupo, incluindo emojis de risadas e uma resposta que afirmava “combinado”.

Contexto da apuração e medidas administrativas

Após a exposição do caso, a administração do hospital, gerido por uma organização social, iniciou um processo interno para verificar a veracidade das informações e o possível impacto na assistência prestada. A médica chegou a ser afastada de suas funções preventivamente enquanto a apuração estava em curso. Segundo a assessoria da unidade, a profissional era contratada por uma empresa terceirizada que presta serviços à maternidade.

Em nota oficial, o Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara reiterou que não adota posicionamento político-partidário e que sua atuação é pautada estritamente por critérios técnicos e éticos. A instituição reforçou que as manifestações em grupos privados não refletem a postura da administração e que qualquer conduta que coloque em risco a isonomia do atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) é considerada incompatível com as normas da unidade.

Defesa da profissional e posicionamento do Cremego

Em sua defesa, a médica Marcella Segato de Sousa Melo afirmou que as mensagens enviadas não se traduziram em ações práticas. Em nota, ela pediu desculpas aos pacientes, familiares e colegas, sustentando que nenhuma alta foi negada ou postergada por razões políticas. Segundo a profissional, todas as decisões de alta hospitalar foram tomadas exclusivamente com base em critérios clínicos, garantindo que o atendimento seguiu os protocolos de segurança do paciente.

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) também se manifestou sobre o ocorrido. Conforme o órgão, as denúncias de natureza ética são apuradas sob sigilo, respeitando o Código de Processo Ético-Profissional Médico. O conselho informou que solicitou esclarecimentos ao responsável técnico pela instituição de saúde para dar continuidade aos trâmites legais de investigação. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia, por sua vez, reforçou a orientação às equipes sobre a necessidade de garantir um atendimento ético e imparcial a todos os usuários do sistema público, conforme reportado pela fonte oficial.

O caso levanta debates sobre os limites da liberdade de expressão de profissionais de saúde em ambientes digitais e a importância da neutralidade no exercício da medicina. O Parlamento segue acompanhando os desdobramentos desta investigação e outros temas de relevância social. Continue conosco para se manter informado com apurações precisas e um olhar atento sobre os fatos que impactam a sociedade brasileira.

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