Política

Lula critica Conselho de Segurança da ONU por conflitos globais e cita preocupação com o Irã

Em um discurso carregado de críticas e importantes anúncios políticos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva direcionou seu foco, na noite da última quinta-feira (19), aos **cinco membros permanentes** do **Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU)**. As declarações, proferidas no simbólico **Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP)**, expressam a **preocupação do presidente com a guerra no Irã** — uma referência à instabilidade regional e ao envolvimento do país em tensões geopolíticas — e com a inação do órgão máximo da ONU diante dos crescentes conflitos globais.

A Contradição dos Guardiões da Paz Global

A fala de Lula foi incisiva ao apontar uma grave contradição: os países que detêm o poder de veto no Conselho de Segurança da ONU — **Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França** — deveriam ser os principais responsáveis por zelar pela paz mundial, mas estariam, segundo o presidente, fomentando conflitos. “O Conselho de Segurança foi feito para ter responsabilidade e manter a segurança no mundo. Pois são os cinco [países membros] que estão fazendo guerra. São os cinco. Eles produzem mais armas, vendem mais armas”, declarou Lula, ecoando uma crítica comum à estrutura do Conselho, que muitos países, incluindo o Brasil, consideram defasada e pouco representativa da geopolítica atual.

A **preocupação com a guerra no Irã**, mencionada pelo presidente, insere-se em um cenário de complexas **tensões geopolíticas** no Oriente Médio. Embora não haja uma guerra convencional em curso diretamente no território iraniano no momento, o Irã é um ator central em diversos **conflitos por procuração** na região, como na Síria, Iêmen e Líbano, e sua influência é um fator constante nas discussões sobre segurança e estabilidade. A fala de Lula pode ser interpretada como um alerta para o potencial de escalada desses focos de tensão e a percepção de que as grandes potências não estão agindo efetivamente para desarmá-los ou, em alguns casos, estão contribuindo para sua manutenção.

O presidente sublinhou o impacto desproporcional dos conflitos, questionando quem arca com o maior custo: “Quem paga o preço das guerras? Os pobres”. Ele trouxe à tona os gastos militares globais, que no ano passado alcançaram a vertiginosa cifra de **2 trilhões e 700 bilhões de dólares em armas**. Em contraste, Lula lamentou a falta de investimento em áreas cruciais para o desenvolvimento humano. “Quanto gastaram em comida? Quanto gastaram em educação? Quanto gastaram para acabar com as pessoas que estão refugiadas, vítimas de guerras insanas?”, indagou, enfatizando a negligência com milhões de **refugiados** e deslocados internos que sofrem as consequências diretas dessas escolhas.

Agenda Política e Anúncios Eleitorais para 2026

As contundentes críticas à política externa foram proferidas em um evento que também serviu como palco para importantes anúncios da política nacional. No **Sindicato dos Metalúrgicos**, local carregado de simbolismo para a trajetória política de Lula, o presidente confirmou sua intenção de buscar a **candidatura à reeleição em 2026**. Além disso, Lula oficializou o nome de **Fernando Haddad** como o candidato do PT ao governo paulista e expressou o desejo de contar novamente com o atual vice-presidente, **Geraldo Alckmin**, em sua chapa, delineando os primeiros passos para a próxima disputa eleitoral.

O Caso Banco Master: Troca de Acusações Políticas

Em outro momento de sua fala, Lula abordou o controverso caso do **Banco Master**, transformando-o em mais um ponto de atrito político. O presidente criticou o que denominou de “falcatruas” envolvendo a instituição financeira e fez questão de desassociar seu governo e o Partido dos Trabalhadores (PT) de qualquer envolvimento ou responsabilidade. “Vira e mexe, eles tão tentando empurrar para as costas do PT e do governo o [caso do] Banco Master. Esse Banco Master é obra, é ovo da serpente, do Bolsonaro e do Roberto Campos, ex-presidente do Banco Central”, declarou, lançando a culpa sobre a gestão anterior.

As acusações de Lula miram diretamente no ex-presidente **Jair Bolsonaro** e em **Roberto Campos Neto**, que presidiu o **Banco Central (BC)** durante parte da gestão passada. Segundo o atual presidente, as supostas irregularidades e as “falcatruas” teriam ocorrido após a aprovação da instituição financeira pelo BC sob a tutela de Campos Neto. Lula enfatizou a necessidade de vigilância: “E, se a gente não tomar cuidado, vão tentar dizer que fomos nós”, evidenciando a estratégia de defesa e a busca por accountability.

Para fundamentar sua crítica, Lula apresentou um paralelo temporal, destacando que no início de 2019, o então presidente do Banco Central, **Ilan Goldfajn**, teria negado o reconhecimento do Banco Master. “Quem reconheceu, em setembro de 2019, foi o Roberto Campos [ex-presidente do BC na gestão Bolsonaro]. E todas as falcatruas foram feitas [nesse período]”, pontuou o presidente. As acusações são graves, envolvendo um suposto “golpe de **R$ 50 bilhões**” no país, e Lula garantiu que o governo não medirá esforços para “não deixar pedra sobre pedra para apurar tudo que fizeram”.

Este panorama de declarações contundentes, que transita entre críticas à ordem global, projeções eleitorais e denúncias de irregularidades internas, demonstra a amplitude das pautas abordadas pelo presidente em seus discursos e a forma como a política interna e externa se entrelaçam na retórica governamental. Para continuar acompanhando análises aprofundadas sobre estes e outros temas que moldam o cenário político e social do Brasil e do mundo, acesse O Parlamento. Nosso compromisso é com a informação relevante, atual e contextualizada, essencial para uma compreensão completa dos fatos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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