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Justiça condena delegado Dannilo Proto e esposa por desvio milionário em verbas da educação goiana

Em uma decisão que reverberou no cenário jurídico de Goiás, o delegado da Polícia Civil Dannilo Ribeiro Proto foi condenado a mais de 11 anos de prisão. A sentença, proferida pela Justiça, aponta sua participação em um complexo esquema criminoso que desviou recursos públicos que deveriam ser aplicados em reformas e obras de escolas estaduais na cidade de Rio Verde, localizada no sudoeste goiano. O montante desviado, conforme a condenação, atingiu a cifra de R$ 1,85 milhão, um valor significativo que comprometeria diretamente a infraestrutura educacional da região.

Além da pena de reclusão, a decisão judicial determinou a perda do cargo de delegado para Dannilo Proto, marcando um duro golpe em sua carreira. A esposa dele, Karen Proto, que atuava como coordenadora regional de Educação de Rio Verde, também foi sentenciada a mais de 11 anos de prisão, evidenciando a profundidade e a abrangência da rede de corrupção desmantelada.

A condenação de Dannilo Proto e o esquema de desvios milionários

A condenação do delegado Dannilo Proto e de sua esposa, Karen Proto, é um marco na luta contra a corrupção em Goiás. Segundo a investigação e a sentença, Dannilo era o líder do grupo criminoso, orquestrando as ações que resultaram no desvio de verbas essenciais para a educação. A participação de Karen foi considerada central, pois ela, em sua posição de coordenadora regional de Educação, tinha acesso privilegiado a informações sobre as obras e reformas planejadas para as unidades de ensino.

Esse acesso antecipado permitia que o grupo manipulasse os processos de contratação, direcionando-os para empresas ligadas aos envolvidos. A fraude não apenas subtraiu dinheiro público, mas também privou escolas e estudantes de melhorias estruturais necessárias, impactando diretamente a qualidade da educação oferecida à população.

Os papéis centrais na articulação da fraude

O esquema contava com a atuação estratégica de diversos indivíduos, cujas funções eram cruciais para o sucesso das fraudes. Karen Proto, por exemplo, ocupou o cargo de coordenadora regional de Educação de Rio Verde entre 2019 e 2024, sendo servidora da Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc). Sua posição lhe conferia a capacidade de obter dados confidenciais sobre as necessidades das escolas, que eram então repassados ao grupo para facilitar as operações ilícitas.

Outro nome citado na sentença é Vitor Rodrigo Bento, servidor responsável pela fiscalização e conferência das prestações de contas na mesma Coordenação Regional de Educação. Ele desempenhava um papel fundamental na validação de documentos relacionados aos contratos fraudulentos, conferindo uma falsa legalidade às transações. A perda dos cargos públicos de Dannilo, Karen e Vitor foi uma das determinações da juíza Placidina Pires, reforçando a gravidade de suas condutas.

A mecânica do desvio e as provas apresentadas

A investigação detalhou como o esquema funcionava. Empresas eram utilizadas como fachada para conseguir contratos de obras e reformas em escolas estaduais. O Ministério Público de Goiás (MP-GO) apresentou como prova mensagens trocadas entre os envolvidos, que revelaram a articulação e a divisão dos valores desviados. Em uma das conversas, Karen mencionava a atuação de Vitor junto a assessores financeiros das regionais de Educação, indicando a coordenação entre os membros.

Em outro diálogo crucial, Dannilo Proto conversava com Vitor sobre Leonard Ferreira de Paulo, apontado como operador das obras. O delegado expressava a intenção de “trabalhar a ideia dele” para “fechar 20% pra nós. Pegamos tudo”, referindo-se à divisão dos valores obtidos ilegalmente. Essas mensagens foram elementos decisivos para a Justiça sustentar a condenação dos envolvidos.

Operação Regra de Três: o início da investigação e seus alcances

O caso veio à tona em agosto de 2025, com a deflagração da Operação Regra de Três pelo MP-GO. Na ocasião, foram cumpridos um mandado de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão em Rio Verde e Goiânia. As investigações revelaram que o esquema estava em operação desde 2020 e teria causado um prejuízo inicial estimado em R$ 2,2 milhões aos cofres públicos, principalmente em contratos de reformas escolares, mas também em outras áreas.

A apuração se estendeu a contratos para impressão de material didático e à contratação de um instituto ligado ao grupo para a realização de um concurso público da Câmara Municipal de Rio Verde, mostrando a amplitude das atividades ilícitas. A Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc) informou na época que não tinha conhecimento prévio dos fatos e que os envolvidos não faziam parte da gestão da secretaria ou das unidades regionais naquele momento.

Repercussão judicial e a situação atual dos condenados

Ao todo, dez pessoas foram condenadas no processo. Além de Dannilo e Karen, Leonard Ferreira de Paulo recebeu pena de oito anos de prisão. Os demais condenados tiveram diferentes graus de participação atribuídos no esquema. A defesa de Dannilo e Karen Proto informou que entrou com um habeas corpus e que irá recorrer às instâncias superiores, alegando falta de acesso integral às provas e demora na prolação da sentença.

Atualmente, Dannilo Proto é o único dos dez condenados que permanece preso, custodiado na Casa do Albergado. A sentença manteve sua prisão devido a condutas consideradas inadequadas enquanto já estava detido, como acesso a celular e computador e manutenção de contatos externos, além de ameaças apontadas no processo. Os outros nove condenados, incluindo Karen, estão em liberdade e poderão recorrer da sentença nessa condição. Um habeas corpus para Dannilo, buscando que ele recorra em liberdade, está previsto para ser analisado pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO).

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