Anápolis

Aos 82 anos, inventor goiano cria dispositivo para facilitar consumo de pequi

Inovação e tradição no Cerrado

O desafio de saborear o pequi sem o risco de ferir a língua com os espinhos internos ou sujar as mãos com o óleo característico do fruto é um dilema antigo para os apreciadores da culinária goiana. Aos 82 anos, o procurador federal aposentado João da Silva Garrote transformou essa necessidade cotidiana em uma solução prática: o “Pegador de Pequi”. A invenção, que se tornou um símbolo de sua trajetória, foi apresentada recentemente durante uma palestra no Campus Senador Canedo do Instituto Federal de Goiás (IFG).

Com 35 patentes registradas ao longo de sua vida, Garrote demonstra que a criatividade não possui limite de idade. Durante o encontro com estudantes do curso Técnico em Automação Industrial, o inventor relembrou que sua inclinação para criar soluções surgiu ainda na infância, sendo aprimorada durante sua formação na antiga Escola Técnica de Goiânia, na década de 1950. Segundo ele, a vivência em oficinas de mecânica, marcenaria e eletrotécnica foi fundamental para que ele aprendesse a transformar ideias abstratas em projetos funcionais.

Formação técnica como base para a criatividade

Para João Garrote, a capacidade de inventar não é um dom restrito a poucos, mas uma habilidade que pode ser cultivada através do acesso ao conhecimento técnico e às ferramentas adequadas. Em sua fala aos jovens, o inventor enfatizou que a base educacional recebida na instituição — que hoje integra a rede de Institutos Federais — foi o diferencial que lhe permitiu transitar por diversas áreas do saber e aplicar conceitos de engenharia em problemas do dia a dia.

A instituição, criada em 1942, serviu como um laboratório de experimentação para o inventor. Ao compartilhar sua história, ele busca desmistificar o processo criativo, incentivando os alunos a buscarem a prática constante. “Toda vida eu fui criativo. Desde criança eu inventava as coisas”, ressaltou Garrote, reforçando que o ensino técnico é um caminho sólido para a formação de novos profissionais capazes de inovar em seus campos de atuação.

Legado e incentivo à nova geração

Além de compartilhar sua experiência, o inventor decidiu investir no futuro dos estudantes do IFG. Ele realizou a doação de diversos equipamentos para o campus, incluindo um torno mecânico, uma furadeira de bancada, cerca de 300 micromotores, motor esmeril e uma serra-fita. O objetivo é proporcionar aos alunos melhores condições para que possam desenvolver suas próprias invenções e aplicar o conhecimento teórico em projetos práticos.

A iniciativa foi recebida com entusiasmo pela comunidade acadêmica. Estudantes como Danilo Ferreira e Mariana Adriana destacaram como a trajetória de Garrote inspira a resolução de problemas simples por meio de métodos eficientes. O inventor, que mantém uma carta de agradecimento à sua antiga escola, continua sendo uma referência de como a curiosidade intelectual, aliada a uma base técnica sólida, pode gerar soluções que atravessam gerações e valorizam a cultura regional, como é o caso do consumo do pequi.

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