O fim da escala 6×1: o compromisso prioritário do governo, segundo Guilherme Boulos
O debate sobre a **jornada de trabalho** no Brasil ganha novos contornos com a declaração enfática de Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República. Em manifestação recente, Boulos reafirmou a bandeira do governo federal pela extinção da **escala 6×1**, um modelo que impõe ao trabalhador seis dias de atividade para apenas um de descanso. A proposta central visa não apenas garantir um mínimo de dois dias de folga semanais, mas também reduzir a jornada máxima para **40 horas semanais** sem prejuízo salarial, marcando um ponto crucial na agenda de direitos trabalhistas do país.
A medida, defendida em conjunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, representa uma das prioridades para o ano e ecoa uma demanda histórica de setores da sociedade. A intenção é consolidar o formato de **5×2**, ou seja, cinco dias de trabalho para dois dias de descanso consecutivos, buscando um equilíbrio maior entre vida profissional e pessoal dos trabalhadores brasileiros. Tal mudança não se restringe apenas à duração da jornada, mas impacta diretamente a qualidade de vida, a saúde mental e o bem-estar da força de trabalho, questões que ganham cada vez mais relevância no cenário contemporâneo.
Resistência esperada e o peso da história
Guilherme Boulos reconhece que a proposta enfrenta **resistência considerável** por parte de setores empresariais, um cenário já antecipado e comparado a embates históricos na conquista de outros **direitos trabalhistas**. O ministro traça paralelos com a implantação do **salário mínimo**, do **13º salário** e das **férias remuneradas**, medidas que, à época de suas aprovações, também geraram forte oposição e temores de colapso econômico. “Eu nunca vi patrão defender aumento de direito do trabalhador. Ele sempre vai ser contra, sempre vai contar um monte de lorota dizendo que vai acabar [com a economia]. O fato é que tudo isso foi aprovado historicamente no Brasil e a economia não ruiu”, salientou Boulos durante sua participação na estreia do programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional.
Apesar da esperada oposição do empresariado, a proposta encontra forte apoio popular. Uma pesquisa recente, citada pelo próprio governo, indica que **73% dos brasileiros** apoiam o fim da **escala 6×1**, o que confere à iniciativa um respaldo social significativo. Esse consenso popular pode ser um fator determinante na articulação política necessária para a aprovação da medida no Congresso Nacional, com expectativas de que o debate e a votação possam ocorrer ainda neste semestre.
Além da jornada: a proteção aos trabalhadores de aplicativos
A agenda do governo para este ano vai além da **jornada de trabalho** convencional, estendendo-se à proteção dos **trabalhadores de aplicativos**. Boulos destacou a necessidade urgente de regulamentar a atividade de motoristas e entregadores, um segmento em constante crescimento, mas marcado pela **precariedade trabalhista** e pela ausência de direitos básicos. A proposta governamental visa estabelecer **taxas de percentual fixas** a serem repassadas às empresas que operam os aplicativos, coibindo práticas que hoje lesam os trabalhadores.
O ministro criticou veementemente a desproporção na divisão de lucros, apontando que as plataformas digitais, que atuam apenas na intermediação tecnológica, chegam a reter até 50% do valor de cada viagem ou entrega. “A empresa só faz a intermediação tecnológica. Liga o passageiro ao motorista, faz a gestão de um aplicativo, ela não troca um pneu, não tem um carro, não dirige, e de cada viagem ela fica com 50% do lucro do trabalhador. Isso é inaceitável”, defendeu. No final do ano passado, a Secretaria-Geral já havia instituído um grupo de trabalho com o objetivo de formular propostas concretas para a regulação trabalhista da categoria, demonstrando o empenho em formalizar e garantir direitos a esses profissionais.
Segurança Pública e a questão indígena: uma pauta diversificada
Na mesma linha de prioridades, Boulos mencionou a aprovação da **PEC da Segurança Pública**, que visa a criação de um **Ministério da Segurança Pública** com atribuições claramente definidas por lei. A iniciativa reflete a preocupação do governo em aprimorar a gestão da segurança no país, buscando uma abordagem mais estruturada e coordenada para o enfrentamento da criminalidade organizada e a promoção da paz social.
Adicionalmente, o ministro abordou a complexa questão das **hidrovias** na Amazônia e a mobilização de **povos indígenas** contra o Decreto nº 12.600, de agosto de 2025. O decreto inclui as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no **Programa Nacional de Desestatização (PND)**, gerando forte preocupação entre as comunidades locais. Representantes do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita) chegaram a ocupar o escritório da multinacional Cargill em Santarém, no Pará, exigindo a revogação do decreto por considerarem que a medida ameaça o **meio ambiente** e a **soberania alimentar** dos **povos indígenas**.
Boulos revelou que defende a pauta indígena junto ao governo e expressou otimismo quanto a um desfecho positivo, apesar de o decreto ter sido publicado antes de sua entrada na gestão. A discussão envolve outros ministérios que participaram da elaboração do texto original, mas o ministro garantiu que sua posição é de atender às reivindicações, consideradas “justas e necessárias”. Este episódio sublinha a interconexão entre desenvolvimento econômico, proteção ambiental e direitos territoriais, temas centrais para o futuro da Amazônia e do Brasil.
As declarações de Guilherme Boulos revelam um governo empenhado em uma agenda multifacetada, que abrange desde a modernização das relações de **trabalho** e a proteção de novas categorias profissionais, até o fortalecimento da segurança pública e a defesa intransigente dos direitos dos **povos indígenas** e do **meio ambiente**. A complexidade dos temas e a amplitude dos desafios exigem acompanhamento constante e análise aprofundada. Para continuar por dentro desses e de outros debates cruciais que moldam o cenário nacional, convidamos você a seguir as reportagens completas e contextualizadas d’O Parlamento, o seu portal de informação relevante e de qualidade.




