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Feminicídio em Cristalina: justiça sentencia homem a quase 90 anos por duplo assassinato

A Justiça de Goiás proferiu uma sentença que ecoa a gravidade da violência doméstica e familiar, condenando Milton Pereira dos Santos a uma pena de quase 90 anos de prisão. O pedreiro, que tinha 53 anos à época dos fatos, foi considerado culpado pelo brutal assassinato de seus ex-sogros, Maria Batista de Oliveira, de 68 anos, e Mario Domingos, de 59, em Cristalina, no Entorno do Distrito Federal. O crime, ocorrido na antevéspera do Natal de 2024, chocou a comunidade e ressalta a urgência de combater ciclos de abuso e ameaças.

A condenação, que totaliza 89 anos de reclusão e detenção, é resultado de um julgamento que detalhou a frieza e a premeditação do réu. Os assassinatos aconteceram após Milton ser expulso da residência onde vivia com a ex-mulher, filha das vítimas, em um relacionamento marcado por histórico de violência e abusos. A decisão judicial não apenas impõe uma longa pena, mas também serve como um alerta sobre as consequências devastadoras da violência intrafamiliar.

A gravidade dos crimes e a sentença detalhada

A pena imposta pelo juiz Rodney Martins Farias reflete a multiplicidade e a qualificação dos crimes cometidos. Milton Pereira dos Santos foi condenado por uma série de delitos que demonstram a crueldade de suas ações. A tipificação dos crimes e suas respectivas penas são:

  • Feminicídio: 61 anos, 1 mês e 10 dias de reclusão, referente ao assassinato de Maria Batista de Oliveira.
  • Homicídio qualificado: 23 anos e 4 meses de reclusão, pela morte de Mario Domingos.
  • Adulteração de sinal identificador de veículo: 4 anos de reclusão.
  • Violência psicológica contra a mulher: 10 meses de reclusão.
  • Fraude processual qualificada: 8 meses de detenção.

O magistrado destacou, na sentença, fatores agravantes que pesaram na decisão dos jurados e na fixação das penas. Entre eles, o emprego de meio cruel e o uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas. A vulnerabilidade de Maria Batista de Oliveira foi particularmente enfatizada, pois, além de idosa, era portadora de cardiopatia severa e acometida por convulsões, condições que a tornavam ainda mais frágil e incapaz de qualquer reação ou fuga.

A frieza do réu e o impacto da data do crime

Um dos aspectos mais chocantes do caso, conforme descrito pelo juiz Rodney Martins Farias, foi a postura de Milton após cometer os crimes. De acordo com o depoimento da ex-mulher, filha do casal assassinado, o réu visitou a casa da família no dia seguinte às mortes, ofereceu um afago à ex-companheira e lhe desejou “feliz Natal”. Essa demonstração de frieza e dissimulação agravou o desvalor de sua conduta perante a Justiça.

A data em que os crimes foram perpetrados também foi um ponto crucial na argumentação judicial. Os assassinatos ocorreram na noite de 23 de dezembro, e os corpos foram encontrados na manhã seguinte, véspera de Natal, no assentamento Vista Alegre. O juiz ressaltou que, para os familiares, a data, que deveria ser de celebração, se converterá em um marco anual de dor, intensificando o sofrimento e a memória da tragédia.

A investigação e os antecedentes de violência

A investigação, conduzida pelo delegado Cassius Zamó, revelou que Milton Pereira estava insatisfeito com a recente separação da filha das vítimas, após um relacionamento de três anos marcado por abusos e violência. Ele havia sido expulso da casa onde vivia com a família no dia anterior ao crime e, segundo relatos, fazia ameaças constantes à sogra, chegando a afirmar dias antes que “a veria no caixão no Natal”.

Câmeras de segurança e depoimentos foram fundamentais para desvendar o plano. Imagens da noite do crime mostraram Milton e um servente, que também foi preso, saindo de moto em direção à residência rural das vítimas, que foram brutalmente mortas com golpes de facão. Posteriormente, foram vistos retornando à cidade com roupas e objetos alterados, em uma tentativa de criar um álibi. A polícia também constatou que as câmeras da casa das vítimas, instaladas com a ajuda do próprio Milton, foram desligadas antes dos assassinatos, indicando premeditação.

A prisão e os próximos passos legais

Após dias foragido, Milton Pereira dos Santos foi preso em 19 de janeiro, no Jardim Ingá, em Luziânia, após uma operação policial. Na época de sua captura, ele negou os crimes, mas as evidências e o julgamento o levaram à condenação. A defesa de Milton, representada pela advogada Daniella Visoná, informou que avaliará a possibilidade de recurso, reiterando que sua atuação sempre foi pautada pela garantia do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal.

Este caso de feminicídio e homicídio qualificado em Cristalina serve como um doloroso lembrete da persistência da violência doméstica e da importância de um sistema de justiça robusto para responsabilizar os agressores. Acompanhe O Parlamento para mais informações sobre este e outros temas relevantes, com análises aprofundadas e contexto que importam para você.

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