Feminicídio choca Goiânia após agressor solto em audiência matar ex e ferir criança
Um crime de extrema violência registrado em Goiânia expôs mais uma vez as falhas estruturais na proteção de mulheres ameaçadas por parceiros íntimos. Damiana Maria Alves de Assunção, de 40 anos, foi assassinada a facadas dentro de sua própria residência no Parque Industrial João Braz, neste domingo (18). O agressor, seu ex-companheiro, havia sido detido semanas antes pelo mesmo motivo, mas obteve liberdade provisória durante audiência de custódia.
O ataque também deixou ferido o filho da vítima, um menino de 9 anos que tentou intervir para salvar a mãe. A tragédia reacende o debate sobre a eficácia das medidas protetivas e o monitoramento de indivíduos reincidentes em crimes previstos na legislação de combate à violência doméstica no Brasil.
Ataque dentro de casa e a tentativa de socorro do filho
De acordo com o registro policial, o agressor invadiu o imóvel e desferiu múltiplos golpes de faca contra Damiana, que não resistiu à gravidade dos ferimentos e morreu no local antes da chegada dos serviços de emergência médica. Testemunha do início das agressões, o filho da vítima tentou conter o agressor para proteger a mulher, momento em que também se tornou alvo da fúria do homem.
A criança sofreu uma lesão grave no braço esquerdo, com corte profundo e exposição óssea. Socorristas do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás atenderam a ocorrência e encontraram o garoto consciente, em estado de choque e em pranto constante. Ele foi estabilizado pela equipe no local e encaminhado com urgência ao Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), onde recebeu atendimento médico especializado.
Histórico recente de agressões e soltura pela Justiça
O caso ganha contornos ainda mais graves diante do histórico criminal recente do autor contra a mesma vítima. Em 25 de setembro, o homem havia sido preso em flagrante após espancar Damiana em outro episódio de violência doméstica no município. Naquela ocasião, o agressor foi autuado e encaminhado ao sistema prisional para os trâmites legais.
Entretanto, ao passar por audiência de custódia perante o Poder Judiciário, o agressor teve a prisão em flagrante convertida em liberdade com imposição de medidas cautelares, incluindo o uso de monitoramento eletrônico. Menos de um mês após a decisão que o colocou nas ruas, ele violou as determinações legais e retornou à residência da vítima para consumar o homicídio.
Fuga com tornozeleira rompida e prisão em flagrante
Logo após consumar o feminicídio, o agressor abandonou o local do crime na tentativa de despistar as autoridades. Informações apuradas pelas forças de segurança apontam que, durante o período de fuga, o homem retirou e rompeu o dispositivo de tornozeleira eletrônica que deveria registrar seus deslocamentos em tempo real.
Cerca de uma hora e meia após o crime, guarnições da Polícia Militar de Goiás localizaram o indivíduo escondido nas dependências do Condomínio Anhanguera. Na abordagem, os policiais constataram que o suspeito havia trocado de roupas para dificultar o reconhecimento visual e tentou fornecer uma identificação falsa aos agentes da corporação.
Confissão e encaminhamento à Polícia Civil
Apesar das tentativas de despiste, o homem foi identificado pelas equipes policiais, momento em que confessou a autoria dos atos cometidos contra a ex-companheira e a criança. O suspeito foi conduzido formalmente à delegacia plantonista da Polícia Civil para a formalização do flagrante pelos crimes de homicídio qualificado por feminicídio e tentativa de homicídio contra menor de idade.
A reincidência fatal evidencia as discussões enfrentadas por órgãos públicos sobre o rigor das cautelares em ocorrências de ameaça contra mulheres. Informações detalhadas sobre as políticas públicas de acolhimento e denúncias contra agressores podem ser consultadas no portal do Ministério das Mulheres, órgão responsável por orientações e dados nacionais sobre a rede de amparo às vítimas.
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