Investigação aponta 13 denúncias contra dentista suspeita de deformar pacientes em Goiânia

Aumento no número de denúncias após operação policial
O caso envolvendo a dentista Valéria Ribeiro, que atua em Goiânia, ganhou novos contornos após a deflagração da Operação Protocolo de Risco. O que inicialmente era um inquérito focado em sete pacientes, rapidamente se expandiu para 13 denúncias formais. A Polícia Civil de Goiás busca, por meio da divulgação do caso, identificar outras possíveis vítimas que tenham passado por procedimentos estéticos na clínica localizada no Setor Bueno.
A profissional, que teve sua prisão preventiva decretada no último dia 28, é investigada por realizar cirurgias invasivas sem a devida autorização ou especialização técnica necessária. Segundo o delegado Wladimir Freire, a condução das investigações visa não apenas apurar os danos causados, mas também mapear a extensão das atividades irregulares realizadas no estabelecimento.
Relatos de sequelas e procedimentos invasivos
Os depoimentos das vítimas revelam um cenário preocupante de negligência e danos físicos permanentes. Uma das pacientes, que buscou um procedimento de rejuvenescimento de pescoço, relatou ter sido submetida a um lifting facial sem qualquer autorização prévia. O procedimento, segundo o relato, estendeu-se por cerca de 18 horas, resultando em um longo período de recuperação e perda de mobilidade na região da boca e do pescoço.
As sequelas relatadas pelas vítimas que procuraram a polícia são graves e variadas, incluindo quadros de infecção, fibroses, necroses e cicatrizes permanentes. A investigação aponta que a clínica não possuía estrutura adequada para cirurgias de alta complexidade, como rinoplastias e lipoaspirações de papada, procedimentos que, segundo as normas do Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CROGO), exigem especialização específica.
Posicionamento das autoridades e órgãos de classe
O CROGO reforçou, por meio de nota oficial, que acompanha o caso com rigor e que eventuais infrações éticas estão sendo apuradas em sigilo administrativo. O conselho destacou que, embora dentistas possam realizar procedimentos de harmonização orofacial minimamente invasivos, cirurgias estéticas mais complexas são restritas a profissionais com comprovação de especialidade em Cirurgia Estética Orofacial (CEOF).
Além da prisão da dentista, a Polícia Civil efetuou a detenção de uma funcionária da clínica, suspeita de tentar ocultar provas e materiais durante uma inspeção da Vigilância Sanitária. A justiça também determinou o bloqueio de R$ 600 mil das contas da investigada, medida que visa garantir o ressarcimento de danos e a continuidade das apurações. A defesa técnica da profissional ainda não apresentou manifestação detalhada sobre as acusações, alegando falta de acesso integral aos autos do inquérito.
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Para mais detalhes sobre as normas de atuação profissional, consulte o site oficial do CROGO.




