Delação de empresário amplia investigação sobre financiamento do filme Dark Horse

A Procuradoria-Geral da República (PGR) formalizou um acordo de colaboração premiada com o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. O depoimento do dono da Entre Investimentos e Participações é considerado um passo estratégico para desvendar o fluxo financeiro por trás de Dark Horse, produção cinematográfica que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A estrutura financeira sob suspeita
As investigações da Polícia Federal apontam que a empresa de Freixo atuava como um braço operacional de Daniel Vorcaro. O esquema envolvia a transferência de vultosos recursos para o Havengate Development Fund, sediado nos Estados Unidos. Este fundo, por sua vez, era responsável por repassar os valores à Go Up Entertainment, produtora encarregada de viabilizar o longa-metragem.
O Havengate é gerido por Paulo Calixto, advogado que mantém proximidade com o deputado federal Eduardo Bolsonaro. A conexão entre os envolvidos levantou suspeitas nas autoridades sobre o destino final dos aportes, com investigadores apurando se houve benefício direto a figuras políticas ligadas ao ex-presidente. O acordo de colaboração de Freixo já foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidirá sobre a homologação.
Conexões com o Banco Master
Freixo foi um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em janeiro, que apura fraudes estruturadas envolvendo o Banco Master. A delação do empresário é a segunda obtida pela PGR no âmbito deste inquérito, somando-se ao acordo firmado por João Carlos Mansur, ex-proprietário da gestora Reag. Ambos os processos estão sob a relatoria de Mendonça, que centraliza as apurações sobre o caso Master e o financiamento do filme.
O papel de Flávio Bolsonaro
O financiamento de Dark Horse tornou-se um ponto de inflexão nas investigações após a revelação de negociações diretas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Vorcaro. Documentos indicam que o parlamentar buscou viabilizar um montante de US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões, para a produção. O senador sustenta que a busca por patrocínio privado visava evitar o uso de recursos públicos ou mecanismos como a Lei Rouanet, negando qualquer irregularidade ou oferta de contrapartidas.
A narrativa, contudo, enfrenta questionamentos técnicos. Embora a defesa tenha afirmado que os pagamentos haviam cessado em maio de 2025, a identificação de um novo repasse de US$ 1,6 milhão em setembro do mesmo ano elevou o total aportado para US$ 12,3 milhões. O caso segue gerando repercussão política, incluindo ações do PT no Conselho de Ética do Senado contra Flávio Bolsonaro. Para acompanhar os desdobramentos desta e de outras investigações que movimentam a capital federal, continue lendo O Parlamento, seu portal de referência para uma cobertura jornalística séria e aprofundada.
Para mais informações sobre o contexto legal, consulte o portal oficial do Supremo Tribunal Federal.




