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Vídeo de filha registra morte do pai em ação da GCM de Senador Canedo

Um vídeo gravado por uma filha em Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia, capturou os momentos tensos de uma abordagem da Guarda Civil Municipal (GCM) que culminou na morte de seu pai, um idoso de 78 anos. A gravação, exibida pela TV Anhanguera, mostra a chegada dos guardas à residência da família e as tentativas de negociação para que o homem se entregasse, antes que disparos fossem ouvidos. O caso levanta discussões sobre o uso da força em operações policiais e a transparência das ações.

O idoso, identificado como José de Moura, estava sendo procurado sob a acusação de tentativa de homicídio, após supostamente ter esfaqueado um homem em uma briga na cidade. A ocorrência, que teve repercussão imediata, está agora sob investigação administrativa pela Corregedoria da Guarda Municipal, mesmo com a corporação afirmando que todos os protocolos foram seguidos.

A Tensão da Abordagem Registrada em Vídeo

As imagens capturadas pela filha, cuja identidade não foi revelada, são um registro íntimo e dramático dos últimos momentos de José de Moura. A voz do idoso pode ser ouvida de dentro de um quarto, enquanto a filha, em desespero, implora para que ele não reaja à abordagem dos guardas. “Pai, eu to aqui, pai. Pai, vai lá, pai. Responde bonitinho, pai. Eu to aqui”, diz ela, tentando acalmar a situação.

Em meio ao diálogo, o pai responde: “Filha, eu não sou ladrão”. A mulher, então, reforça o pedido: “Pai, não reage, pai. Pra você não ser machucado, pai. Por favor”. A filha chega a ser questionada por um guarda se tem medo do pai, ao que ela responde que não, mas que tem medo de armas. A sequência de eventos, marcada pela angústia da filha e pela escalada da tensão, culmina com o disparo de uma arma de choque e, em seguida, de uma arma de fogo. Um segundo tiro é ouvido no vídeo enquanto a filha deixa a casa em prantos.

O Contexto da Ocorrência e a Versão da GCM

A ação da Guarda Civil Municipal teve início após a corporação ser informada por uma unidade de saúde sobre um homem esfaqueado, Lucas Emanuell Cardoso, de 25 anos, que foi levado ao pronto-socorro de Senador Canedo e, posteriormente, encaminhado em estado gravíssimo ao Hospital Estadual de Urgências de Goiás (Hugo). Testemunhas indicaram o endereço de José de Moura como o do suposto agressor.

Segundo o relato dos guardas municipais, repassado pela Prefeitura de Senador Canedo, ao chegarem à casa no Setor Jardim Liberdade, José de Moura abriu parcialmente a porta, segurando uma faca do tipo peixeira. Ele teria levantado a arma em direção à equipe, gritando que só sairia dali morto, antes de fechar a porta e correr para os fundos da residência. Diante da recusa, a equipe arrombou a porta e iniciou a negociação para a rendição.

A GCM afirma que, após “sucessivas tentativas de resolução pacífica”, foi necessário o uso de uma arma de choque. Contudo, o dispositivo não teria surtido o efeito esperado, e o idoso teria investido contra um dos guardas, tentando atingi-lo repetidamente com o punhal. Nesse momento, o guarda atacado disparou a arma de fogo. Como José de Moura continuou a tentar atacar a equipe, mais dois tiros foram dados, resultando em sua morte.

Repercussão e Investigação sobre o Uso da Força

A morte do idoso em uma ação da GCM gerou grande comoção e levantou questionamentos sobre os limites do uso da força por parte das guardas municipais. Em nota, a Guarda Municipal de Senador Canedo lamentou o ocorrido, mas reiterou que seus agentes buscaram todas as formas de resolver o caso sem o uso de força letal. A corporação destacou que, apesar de considerar que todos os protocolos foram obedecidos, uma investigação administrativa foi prontamente aberta na Corregedoria para a apuração detalhada dos fatos.

Casos como este frequentemente alimentam o debate público sobre o treinamento, o armamento e a atuação das guardas municipais, que têm expandido suas atribuições para além da proteção patrimonial. A transparência nas investigações e a responsabilização, quando cabível, são cruciais para a confiança da população nas instituições de segurança. O desfecho da investigação da Corregedoria e de possíveis apurações da Polícia Civil e Polícia Técnico-Científica serão fundamentais para esclarecer as circunstâncias da tragédia.

O Parlamento continuará acompanhando de perto este e outros casos que impactam a sociedade, trazendo informações relevantes e contextualizadas para nossos leitores. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, abordando temas que importam para a realidade local, regional e nacional. Fique conectado para mais atualizações e análises aprofundadas.

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