Presidente da Equatorial falta a nova oitiva da CEI dos Fios Soltos em Goiânia com habeas corpus

A Comissão Especial de Inquérito (CEI) dos Fios Soltos da Câmara Municipal de Goiânia enfrentou um novo revés em suas investigações sobre a manutenção e fiscalização de cabos nos postes da capital. Na última quarta-feira, 1º de julho de 2026, o presidente da Equatorial Goiás, Lener Jayme, não compareceu à segunda oitiva para a qual havia sido convocado. A ausência, que frustrou as expectativas dos vereadores, foi justificada pela apresentação de um habeas corpus preventivo, concedido na noite anterior ao depoimento. Este episódio adiciona mais um capítulo à complexa apuração que busca responsabilizar as empresas pela segurança da infraestrutura urbana e pelos riscos à população.
Ausência e o habeas corpus preventivo
A não-apresentação de Lener Jayme na sessão da CEI dos Fios Soltos não foi um fato isolado. De acordo com o presidente da comissão, vereador Coronel Urzêda (PL), o executivo da Equatorial Goiás já vinha adotando estratégias para evitar um novo comparecimento. Tentativas de adiar datas previamente agendadas e sugestões para que outros representantes da empresa fossem ouvidos em seu lugar marcaram o processo. A concessão do habeas corpus preventivo, na véspera da oitiva, permitiu que Jayme se ausentasse legalmente, impedindo que fosse obrigado a depor como testemunha.
Diante da situação, os membros da CEI decidiram que, por meio da Procuradoria da Câmara, questionarão a validade da notificação do habeas corpus. A medida visa garantir que os trabalhos da comissão não sejam prejudicados e que a investigação prossiga com a devida apuração das responsabilidades. A população de Goiânia, que acompanha de perto os desdobramentos, anseia por respostas concretas sobre a segurança dos fios e cabos que permeiam a cidade.
Contradições em depoimentos anteriores da Equatorial
Durante a reunião, a comissão exibiu vídeos que seriam utilizados para confrontar as declarações prestadas por Lener Jayme em seu depoimento anterior, em 31 de março. As imagens revelaram supostas contradições que levantam sérias dúvidas sobre a veracidade das informações fornecidas pela Equatorial Goiás. Um dos pontos mais sensíveis diz respeito à assistência à família da menina Nathaly dos Santos, vítima fatal de eletrocussão por um fio solto em setembro do ano passado, durante uma forte chuva.
Lener Jayme havia afirmado que a empresa prestou apoio jurídico e psicológico, além de custear o enterro da criança. No entanto, a mãe da vítima, ouvida pela comissão em 28 de abril, desmentiu categoricamente essas afirmações, declarando não ter recebido qualquer tipo de ajuda da concessionária.
Outra contradição apontada pelos vereadores surgiu quando Jayme, em um trecho de seu depoimento, declarou que a Equatorial poderia remover cabos de terceiros após notificação prévia, justificando que a empresa é proprietária dos postes e os aluga para empresas de telecomunicações. Contudo, em outro momento da mesma oitiva, ele afirmou que a Equatorial apenas gerencia os postes e não é proprietária dos cabos de terceiros, o que a impediria de removê-los. Confrontado com as duas versões conflitantes, o presidente da Equatorial respondeu que, embora pudesse retirar os fios, o risco de interrupção dos serviços de telecomunicações “criaria um caos em Goiânia”, sugerindo uma preocupação com as consequências operacionais em detrimento da segurança.
Novas convocações e o papel da Aneel na fiscalização
A persistência da CEI dos Fios Soltos se manifesta na aprovação de novas medidas para dar andamento à investigação. A comissão busca ouvir o representante da empresa Nio, responsável pela infraestrutura da antiga Oi, mas as notificações enviadas não foram atendidas. Diante da falta de colaboração, os vereadores aprovaram a convocação coercitiva do diretor-executivo da Nio, Márcio Fabbris, que será obrigado a comparecer para prestar depoimento. Essa decisão demonstra a determinação da CEI em obter todas as informações necessárias para esclarecer as responsabilidades.
Além disso, os membros da comissão planejam uma viagem a Brasília para se reunir com representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O objetivo é discutir as responsabilidades das concessionárias de energia em relação aos postes que são de sua propriedade. A Aneel, como órgão regulador, tem um papel crucial na fiscalização e na definição das normas que regem a infraestrutura elétrica e de telecomunicações, e seu posicionamento pode ser determinante para o futuro das investigações e para a segurança pública. A busca por clareza e responsabilização continua sendo a prioridade da CEI dos Fios Soltos, que busca garantir um ambiente urbano mais seguro para os cidadãos de Goiânia. Para mais detalhes sobre a regulamentação do setor elétrico, acesse o portal da Aneel.
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