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Trump descarta fim de sanções ao Irã mesmo com entrega de urânio enriquecido

Em uma declaração que eleva a temperatura diplomática entre Washington e Teerã, o presidente Donald Trump afirmou nesta quarta-feira, 27 de maio de 2026, que os Estados Unidos não pretendem aliviar as sanções econômicas contra o Irã em troca apenas da entrega de urânio altamente enriquecido. Durante entrevista à PBS News, o republicano enfatizou que a renúncia total ao programa nuclear é a condição inegociável para qualquer novo entendimento.

sanções: cenário e impactos

A postura de Trump sinaliza uma estratégia de pressão máxima, mesmo diante de sinais de que o governo iraniano estaria disposto a ceder em pontos críticos. Para o presidente americano, a entrega do material nuclear não é um ponto de chegada, mas um requisito básico que não garante, por si só, o fim do isolamento financeiro imposto ao país persa.

Exigências de Washington e o destino do material nuclear

Durante a entrevista, Trump foi enfático ao abordar o que os Estados Unidos pretendem fazer com o urânio caso ele seja entregue. O presidente afirmou que o país não tem interesse em manter o material sob sua custódia para uso próprio, sugerindo uma medida drástica de neutralização.

“Nós vamos conseguir. Não precisamos disso, não queremos isso. Provavelmente vamos destruir depois que conseguirmos, mas não vamos deixar que eles fiquem com isso”, declarou o mandatário. Trump reiterou que, embora o Irã pareça empenhado em fechar um acordo, o consenso ainda está longe de ser alcançado.

Questionado sobre o impacto das eleições de meio de mandato (midterms) no ritmo das conversas, o presidente minimizou a urgência política interna. Segundo ele, a prioridade é a qualidade do acordo e não o calendário eleitoral. “Vamos dar essa chance, não tenho pressa. Todo mundo fica dizendo: ‘Ah, as eleições de meio de mandato’. Não tenho pressa”, afirmou em conversa posterior com o g1.

A linha dura de Marco Rubio e a estratégia americana

O secretário de Estado, Marco Rubio, reforçou o coro da Casa Branca, adotando um tom ainda mais incisivo. Ao lado de Trump, Rubio destacou que a diplomacia continua sendo o caminho preferencial, mas sob uma vigilância rigorosa que impeça qualquer avanço atômico por parte de Teerã.

“O Irã nunca vai ter uma arma nuclear. Os eventos recentes nos lembram, mais uma vez, que eles são os líderes mundiais no terrorismo”, pontuou Rubio. O secretário defendeu que a preferência do governo é sempre negociar acordos, mas ressaltou que a natureza do regime iraniano exige garantias que vão além de promessas verbais.

Controvérsia sobre suposto memorando de entendimento

Enquanto Washington mantém a retórica de endurecimento, a TV estatal iraniana divulgou informações que contrastam com a versão oficial americana. Segundo a emissora, existiria uma minuta de um memorando de entendimento que previa concessões significativas por parte dos Estados Unidos.

O suposto documento incluiria os seguintes pontos:

  • Retirada de forças militares americanas das proximidades do território iraniano.
  • Suspensão imediata de um bloqueio naval na região.
  • Compromissos mútuos para a normalização do tráfego comercial no Estreito de Hormuz.
  • Gestão compartilhada do tráfego marítimo entre Irã e Omã.

A Casa Branca, no entanto, agiu rapidamente para desmentir a existência de tal documento. Um porta-voz do governo classificou a reportagem iraniana como uma “completa invenção”, negando que qualquer retirada de tropas ou suspensão de bloqueio esteja sendo discutida nos termos apresentados por Teerã.

Reação de Teerã e a tensão no Estreito de Hormuz

Do lado iraniano, a resposta política veio por meio de Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do Parlamento. Em mensagem divulgada pelo Telegram, Qalibaf afirmou que o país não se renderá à pressão econômica americana. Ele sugeriu que as Forças Armadas iranianas aproveitaram o período de cessar-fogo para se reestruturarem militarmente.

Apesar da retórica de resistência, Mohamad Akbarzadeh, vice-chefe político da Marinha da Guarda Revolucionária, tentou diminuir os temores de uma escalada bélica imediata. Para ele, a retomada de um conflito armado é improvável, atribuindo essa percepção ao que chamou de “fraqueza do inimigo”.

O cenário permanece de incerteza, com o mercado internacional atento aos desdobramentos no Estreito de Hormuz, via vital para o escoamento de petróleo mundial. O impasse sobre o urânio enriquecido e a manutenção das sanções indicam que a queda de braço entre Trump e os líderes iranianos deve se prolongar, com impactos diretos na geopolítica do Oriente Médio.

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