Goiânia

Fios soltos nas cidades: acidentes graves expõem falhas na fiscalização e geram debate em CEI na Câmara

A segurança nas vias urbanas volta a ser tema de intenso debate com a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal, focada nos perigos representados pelos fios soltos e emaranhados nos postes. Motociclistas, as principais vítimas dessa negligência, relataram em depoimentos chocantes a série de acidentes graves, ferimentos e prejuízos sofridos, apontando para uma alarmante falha na fiscalização e na responsabilização das empresas. O epicentro de algumas dessas ocorrências foi a movimentada Avenida Marechal Rondon, mas o problema ecoa por diversas regiões da cidade, gerando uma crescente sensação de insegurança entre os cidadãos.

O Drama dos Motociclistas: Relatos de Dor e Prejuízo

Os testemunhos na CEI pintaram um quadro sombrio da realidade enfrentada por quem utiliza a motocicleta como meio de transporte ou ferramenta de trabalho. As narrativas convergiram para o alto risco imposto pelos cabos de telefonia, internet e energia elétrica que, muitas vezes, estão baixos, rompidos ou mesmo jogados no asfalto. Relatos de cortes profundos, fraturas decorrentes de quedas bruscas e até traumas psicológicos foram apresentados, ilustrando a brutalidade desses acidentes. Além da dor física e emocional, os prejuízos financeiros são consideráveis, envolvendo desde o reparo ou perda total da motocicleta até gastos com tratamentos médicos e perda de dias de trabalho, afetando diretamente o sustento de muitas famílias.

A Avenida Marechal Rondon, citada nos depoimentos, é um exemplo emblemático de como a alta circulação de veículos e pedestres se combina com a precariedade da infraestrutura aérea, tornando-a um palco potencial para tragédias. A falta de manutenção e a proliferação desordenada de fios criam uma ‘teia’ perigosa que, em dias de chuva ou vento forte, ou mesmo por simples descaso, pode ceder e provocar desfechos fatais. A experiência dessas vítimas ressalta a urgência de intervenções eficazes, pois a cada quilômetro percorrido, o risco de se deparar com uma armadilha invisível se torna real.

A Falha na Fiscalização e a Burocracia da Identificação

Um dos pontos mais críticos levantados durante a CEI foi a dificuldade na fiscalização e, consequentemente, na autuação das empresas responsáveis pelos fios em situação irregular. O Secretário de Eficiência Urbana, presente na sessão, admitiu a complexidade de identificar a qual concessionária pertence cada cabo em meio à vasta rede que se acumula nos postes. Essa ‘anonimidade’ da fiação se torna um escudo para a irresponsabilidade, dificultando a aplicação de multas e a exigência de adequações e, em última instância, prejudicando a segurança pública.

A questão não é trivial. Postes urbanos se tornaram verdadeiros emaranhados de cabos de diferentes provedores de serviços – energia, telefonia fixa e móvel, internet, TV a cabo –, muitas vezes instalados sem um planejamento coordenado ou sem a remoção dos cabos desativados. A legislação vigente, tanto em nível municipal quanto federal, estabelece a responsabilidade das concessionárias pela manutenção e segurança de suas redes. Contudo, a lacuna na identificação eficaz permite que essa responsabilidade seja diluída, gerando um impasse burocrático que afeta diretamente a vida dos cidadãos.

O Papel das Concessionárias e a Responsabilidade Compartilhada

As concessionárias de energia elétrica têm o dever de zelar pela infraestrutura dos postes, que são sua propriedade e base para a instalação de outros serviços. Em contrapartida, as empresas de telecomunicações que utilizam esses postes têm a obrigação de manter seus próprios cabos em conformidade com as normas técnicas e de segurança. A falta de um sistema claro de identificação, bem como o que muitos consideram uma fiscalização branda por parte do poder público, criam um ciclo vicioso de negligência, onde o risco recai sobre o cidadão, tornando-se uma questão de responsabilidade social e corporativa.

Antecedentes e Repercussões: Um Problema Nacional de Infraestrutura Urbana

O problema dos fios soltos e da infraestrutura aérea desordenada não é exclusivo da cidade onde a CEI está sendo realizada. Ele é um desafio persistente em grandes e médias cidades brasileiras, ecoando discussões sobre o ordenamento urbano, a qualidade dos serviços públicos e a urgência de investimentos em infraestrutura urbana. Casos de acidentes similares são frequentemente noticiados em todo o país, evidenciando a necessidade de uma abordagem coordenada entre municípios, agências reguladoras (como a Aneel e a Anatel) e as empresas de serviços para garantir a padronização e a segurança.

As repercussões vão além dos acidentes. O visual poluído das ruas, que afeta a percepção do espaço público, a dificuldade para serviços de emergência e manutenção da própria rede, e a instabilidade dos serviços prestados aos consumidores são consequências diretas dessa desordem. A mobilização da Câmara Municipal para investigar o tema reflete uma pressão crescente da sociedade civil e das associações de motociclistas, que demandam ações concretas e soluções duradouras para garantir a integridade de quem trafega pelas vias, colocando a questão no centro do debate sobre mobilidade urbana.

Caminhos para a Solução: O Que Pode Ser Feito?

Para reverter o cenário de insegurança e desordem, diversas frentes de atuação são propostas. Aprimorar a legislação municipal para exigir maior clareza na identificação da fiação e definir prazos rigorosos para manutenção e remoção de cabos desativados é um passo fundamental. Além disso, a coordenação entre a prefeitura e as concessionárias para a criação de um cadastro único e digitalizado dos cabos instalados pode facilitar enormemente a fiscalização e a autuação, promovendo transparência e responsabilidade.

Investimentos em cabeamento subterrâneo, embora de alto custo e exigindo um planejamento de longo prazo, representam a solução mais completa e segura, eliminando o problema na raiz e valorizando o espaço urbano. No curto e médio prazo, a intensificação de vistorias, a aplicação de multas mais severas e a exigência de planos de manutenção preventiva e corretiva por parte das empresas são medidas urgentes e indispensáveis. A CEI, ao trazer luz sobre o problema, abre caminho para que a sociedade e o poder público pressionem por um ambiente urbano mais seguro e organizado, reforçando a importância da vigilância contínua sobre a qualidade dos serviços públicos.

O Parlamento continuará acompanhando de perto os desdobramentos da CEI e as discussões sobre a segurança da infraestrutura urbana. Manter-se informado sobre temas que impactam diretamente o seu dia a dia e o futuro das nossas cidades é fundamental para a construção de uma sociedade mais consciente e exigente. Acesse O Parlamento para mais análises, reportagens e notícias que contextualizam os fatos e impulsionam o debate público sobre questões cruciais para a sociedade, com o compromisso de trazer informação relevante e de qualidade.

Fonte: https://www.goiania.go.leg.br

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