Apelo por Aava Santiago: Tião Peixoto Pede a Marconi Perillo para Não Fazer ‘Injustiça’ com Vereadora em Ação de Infidelidade Partidária
A política goiana testemunhou um movimento pouco comum de solidariedade partidária transposta por um pedido direto ao expoente máximo de um partido. O vereador **Tião Peixoto** (PSDB) dirigiu um veemente apelo ao ex-governador **Marconi Perillo** (PSDB) durante sessão ordinária da **Câmara Municipal de Goiânia**. O pleito: que a vereadora **Aava Santiago** não seja alvo de uma ação que busca a perda de seu mandato por **infidelidade partidária**. A vereadora, anteriormente filiada ao PSDB, tornou-se presidente estadual do **PSB** em fevereiro, desencadeando o processo que coloca em xeque sua cadeira no legislativo goianiense.
O Apelo e a Tensão entre Lealdade Partidária e Voto Popular
A intervenção de Tião Peixoto foi carregada de um senso de justiça e reconhecimento. Segundo o vereador, “A Aava foi eleita com o **voto popular**. Marconi, libera a mulher e não pede a cadeira dela”. A declaração não é apenas um gesto de camaradagem, mas um sublinhado da complexa dinâmica entre o direito do eleitor de escolher seus representantes e as regras internas dos partidos. Peixoto fez questão de exaltar o histórico de Aava, mencionando que ela é uma “grande **líder política**” e que por “20 anos ajudou o PSDB”, acrescentando um peso emocional ao seu argumento. O pedido a **Marconi Perillo** não é aleatório; o ex-governador mantém uma influência considerável dentro do PSDB em **Goiás** e a nível nacional, sendo uma figura chave para decisões estratégicas da legenda no estado.
O episódio revela uma tensão inerente ao sistema eleitoral brasileiro: enquanto o eleitor vota em uma pessoa, o mandato, especialmente em eleições proporcionais (como a de vereador), é legalmente atribuído à legenda. A **infidelidade partidária**, configurada pela mudança de partido sem justa causa, permite que a legenda solicite a perda do mandato.
A Infidelidade Partidária: Regras e Interpretações
A questão da **infidelidade partidária** ganhou contornos mais definidos no Brasil a partir de decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF). A interpretação majoritária é que o mandato pertence ao partido ou à coligação, e não ao parlamentar, salvo em casos específicos de “justa causa”. Essas causas incluem a criação ou fusão de partidos, mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário, e grave discriminação pessoal. A saída de **Aava Santiago** do PSDB para assumir a **presidência estadual do PSB** é um movimento político claro, mas que, sob a ótica da legislação eleitoral, pode ser questionado se não se enquadra em uma dessas exceções.
Partidos buscam reaver mandatos por diversas razões: manter a força numérica nas casas legislativas, evitar a perda de tempo de rádio e TV (calculado pela bancada), e reforçar a disciplina interna e a coesão ideológica. Para o **PSDB** em **Goiânia**, manter a cadeira na Câmara é fundamental para a estratégia política, especialmente em um ano que antecede as eleições municipais.
A Trajetória de Aava Santiago e o Xadrez Político Goiano
**Aava Santiago** é uma figura conhecida no cenário político goiano, com uma trajetória de duas décadas ligada ao **PSDB**. Sua base eleitoral em **Goiânia** foi construída ao longo dos anos, o que lhe conferiu relevância e capacidade de diálogo. A decisão de deixar o PSDB e assumir a liderança do **PSB** no estado é um passo significativo em sua carreira, indicando uma busca por novos horizontes e, possivelmente, uma maior projeção política e autonomia dentro de uma nova legenda. A presidência de um partido a nível estadual é uma posição estratégica, que confere poder de articulação e influência nas composições para as próximas eleições.
Esse movimento de Aava e a subsequente ação do PSDB não são eventos isolados, mas parte do intrincado xadrez político que se desenha em **Goiás**. Partidos e lideranças estão constantemente se reorganizando, formando novas alianças e disputando espaços em um ambiente político dinâmico. A saída de quadros históricos de um partido para assumir posições de liderança em outro reflete a fluidez das lealdades e a busca por melhores posicionamentos no tabuleiro eleitoral.
Repercussão e Os Próximos Passos do Caso
A defesa do mandato de **Aava Santiago** promete ser um caso acompanhado de perto pela opinião pública e pelos analistas políticos. A discussão levanta o questionamento sobre a prevalência do **voto popular** em relação às normas partidárias. Para muitos eleitores, a escolha de um representante é pessoal e intransferível, e a perda do mandato por **infidelidade partidária** pode ser vista como uma desconsideração à sua vontade. Contudo, a legislação é clara quanto à propriedade do mandato em pleitos proporcionais.
Os desdobramentos jurídicos ocorrerão na esfera da Justiça Eleitoral, onde o **PSDB** apresentará seus argumentos e **Aava Santiago** terá a chance de se defender, buscando enquadrar sua saída em alguma das ‘justas causas’. A decisão terá um impacto direto não apenas na carreira de Aava, mas também na composição da **Câmara Municipal de Goiânia** e, indiretamente, na dinâmica entre os partidos no estado, especialmente em vista das próximas **eleições municipais** e futuras disputas estaduais e federais. O apelo de **Tião Peixoto**, embora carregado de um tom pessoal, é também um gesto político que, de alguma forma, tenta temperar a rigidez das regras partidárias com um senso de reconhecimento do capital político e pessoal da vereadora.
O caso de **Aava Santiago** é um microcosmo das tensões inerentes à democracia representativa brasileira, onde a vontade popular se entrelaça e, por vezes, colide com as regras de funcionamento dos partidos políticos. Acompanhe O Parlamento para análises aprofundadas sobre este e outros temas que moldam o cenário político de **Goiás** e do Brasil, com informações relevantes e contextualizadas que vão além da manchete, ajudando você a compreender as engrenagens do poder e seus impactos na sociedade.
Fonte: https://www.goias365.com.br


