Troca de figurinhas da Copa do Mundo resgata convivência entre gerações em Goiânia

Em uma era marcada pela onipresença de telas e pela digitalização das relações sociais, um hábito tradicional tem ganhado força em Goiânia: a troca de figurinhas da Copa do Mundo. O movimento, que transforma estádios e praças em pontos de encontro, vai muito além do simples colecionismo. Para muitas famílias, a prática representa uma oportunidade de desconexão do ambiente virtual e um resgate da interação presencial entre pais e filhos.
O resgate da infância raiz em pontos de encontro
No último sábado (6), o estádio Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA), casa do Vila Nova, tornou-se o epicentro dessa movimentação. O local, que costuma vibrar com o futebol profissional, abriu espaço para colecionadores de todas as idades. Para a auxiliar de logística Rayanne Freitas, levar os filhos ao estádio para trocar cromos é uma forma de garantir que eles vivenciem experiências fora do mundo digital.
“Criança tem que ser raiz, tem que conviver, estar junto”, defende Rayanne. Para ela, o esforço de acompanhar os filhos na busca pelas figurinhas faltantes é um investimento na socialização. A dinâmica, que envolve conferir listas, organizar álbuns e negociar com outros colecionadores, substitui o tempo de tela por uma atividade lúdica que exige paciência e habilidade de comunicação.
Conexão familiar e paixão pelo futebol
A iniciativa também serve como ponte para fortalecer laços afetivos. A servidora pública Roberta Valadão, que viajou de Bom Jesus de Goiás até a capital, aproveitou a ocasião para unir o útil ao agradável. Além de buscar as figurinhas que faltavam para o álbum da família, ela utilizou o evento para matar a saudade de frequentar o estádio do clube do coração.
O engajamento dos pais é notável. Enquanto alguns incentivam a autonomia dos filhos, outros assumem o papel de “caçadores” de figurinhas. Jorge Antônio, que levou os filhos ao OBA, relata que a busca pelos cromos se tornou uma tarefa estratégica. Com 98% do álbum completo, o desafio de encontrar as peças raras exige dedicação e uma logística que vai além da simples brincadeira.
Investimento e dedicação ao colecionismo
O mercado de figurinhas movimenta valores significativos. O colecionador Sérgio Tertuliano, por exemplo, estima ter investido mais de R$ 1,2 mil para viabilizar a coleção do filho, Samir. O uso de álbuns de capa dura e edições especiais, como a versão prata, demonstra que o hobby é levado a sério por entusiastas que veem na Copa do Mundo um evento cultural de grande magnitude.
Para o empresário Olímpio Jayme, que acompanha as Copas in loco desde 2014, a troca de figurinhas é uma forma de manter viva a expectativa pelo próximo mundial. A interação entre colecionadores de diferentes idades, como a troca realizada com o jovem João Lucas Castro, de 11 anos, reforça o caráter comunitário do evento. O fenômeno, que pode ser acompanhado em Mais Goiás, reafirma que, independentemente da tecnologia, o prazer de completar um álbum de figurinhas permanece como um rito de passagem e um símbolo de união entre gerações.
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