Goiânia

Fios soltos em Goiânia: TIM detalha manutenção e responsabilidades à CEI

A Comissão Especial de Inquérito (CEI) dos Fios Soltos, da Câmara Municipal de Goiânia, realizou uma oitiva em 26 de maio de 2026, dando continuidade à sua investigação sobre a problemática da fiação aérea na capital goiana. Na ocasião, os vereadores ouviram Gustavo Henrique Silva, gerente de operações da TIM, que prestou esclarecimentos cruciais sobre os procedimentos da empresa em relação à manutenção, instalação e retirada de cabos nos postes da cidade. O tema, de grande relevância urbana, tem gerado crescente preocupação entre a população e as autoridades locais devido à poluição visual e aos riscos de segurança.

A presença do representante da TIM na CEI é um passo importante para entender a complexidade da gestão da infraestrutura de telecomunicações e a divisão de responsabilidades entre as operadoras e a concessionária de energia. A comissão busca identificar as causas do acúmulo de fios e cabos em desuso, que não apenas comprometem a estética urbana, mas também representam perigos como curtos-circuitos e quedas, especialmente em períodos de chuva e vento.

Ações da TIM na Manutenção e o Combate aos Fios Soltos

Durante seu depoimento, Gustavo Henrique Silva detalhou a estrutura e os processos que a TIM emprega para gerenciar sua rede de cabos em Goiânia. Ele informou que a operadora mantém uma equipe robusta de nove equipes terceirizadas, dedicadas exclusivamente aos serviços de campo. Essas equipes atuam diariamente em diferentes frentes, cobrindo desde ações corretivas para problemas emergenciais até manutenções preventivas e vistorias regulares. O objetivo é identificar e solucionar irregularidades na rede, garantindo a qualidade do serviço e a segurança da infraestrutura.

O gerente enfatizou que, apesar de serem equipes terceirizadas, todas operam sob a supervisão direta de um responsável da própria TIM, assegurando o cumprimento dos padrões e normas da empresa. Além disso, Gustavo explicou os canais de comunicação disponíveis para reportar problemas relacionados aos fios da TIM. Tanto a concessionária responsável pelos postes, a Equatorial, quanto a população em geral podem utilizar o WhatsApp ou e-mail para fazer denúncias ou solicitações. A agilidade no atendimento é uma prioridade, com casos críticos recebendo atenção imediata e outras ocorrências sendo resolvidas em um prazo máximo de sete dias. Ele também garantiu que todos os serviços executados pelas terceirizadas são posteriormente fiscalizados pela TIM, com verificações rigorosas para assegurar a conformidade com as normas técnicas vigentes.

Desafios na Gestão de Cabos e a Questão da Responsabilidade

Um dos pontos mais sensíveis da discussão na CEI dos Fios Soltos é a complexidade da gestão dos cabos aéreos, que muitas vezes se misturam e se acumulam nos postes, criando o cenário conhecido como “emaranhado de fios”. Gustavo Henrique Silva abordou a política da TIM em relação à retirada de cabos. Ele esclareceu que a empresa não se encarrega de remover instalações de outras operadoras quando realiza novas instalações em endereços já atendidos. Por outro lado, o gerente afirmou que os cabos da própria TIM são retirados prontamente quando há um cancelamento de serviço por parte do cliente, evitando o acúmulo desnecessário de sua própria infraestrutura.

A questão da identificação dos cabos caídos ou em situação irregular também foi um tópico central. Gustavo revelou um dado significativo: “86% dos chamados de fios caídos não são identificados pelas equipes no local como sendo da TIM”. Quando as equipes da operadora são acionadas e constatam que o material não pertence à TIM, a empresa se compromete a comunicar a operadora responsável, conforme a identificação da rede. Essa estatística sublinha a magnitude do problema em Goiânia, indicando que a responsabilidade pela desorganização dos postes é pulverizada entre diversas empresas e que a identificação e atribuição de responsabilidades são um desafio constante para as autoridades e para a própria CEI.

O Programa Cidade Segura e o Cenário Urbano de Goiânia

Durante a oitiva, um dos vereadores questionou Gustavo Henrique Silva sobre a participação da TIM no programa Cidade Segura, uma iniciativa conjunta da Prefeitura de Goiânia e do Ministério Público de Goiás (MP-GO) voltada para a remoção de fios inservíveis dos postes da capital. Surpreendentemente, o gerente de operações da TIM declarou não ter informações sobre a participação da empresa nesse programa específico, o que levanta questões sobre a coordenação entre as operadoras e as iniciativas públicas para resolver o problema da fiação.

A discussão sobre a responsabilidade pela gestão da fiação aérea culminou na avaliação de Gustavo de que a atribuição principal recai sobre a Equatorial, a concessionária dos postes. “As empresas pagam a ela para usar os postes. Assim, ela é a responsável por manter os fios organizados”, declarou o gerente. Essa perspectiva coloca a Equatorial no centro do debate sobre a organização e limpeza visual dos postes, um problema que vai além da estética e impacta diretamente a segurança pública e a qualidade de vida dos moradores de Goiânia. A CEI dos Fios Soltos continua a investigar essas complexas interações, buscando soluções efetivas para um problema urbano que afeta milhares de cidadãos diariamente.

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