Nova espécie de micro-organismo descoberta em Goiânia é batizada em homenagem à capital

Uma pesquisa conduzida em Goiânia revelou a existência de uma nova espécie de micro-organismo até então totalmente desconhecida pela ciência mundial. O achado científico, fruto de investigações lideradas por especialistas da Universidade Federal de Goiás (UFG), resultou na identificação do protozoário que passou a integrar o patrimônio taxonômico com o nome da capital goiana, batizado oficialmente como Babesia goianiaensis.
O trabalho acadêmico que culminou na descoberta foi publicado em agosto de 2023 na revista científica Microorganisms. A investigação teve início formalmente como um projeto de mestrado em 2019 e contou com o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), consolidando o avanço na produção científica regional e nacional.
Origem da pesquisa e análise de carrapatos
O foco inicial da equipe científica coordenada pelo professor Felipe Krawczak, vinculado à Escola de Veterinária e Zootecnia da UFG, era mapear a circulação de bactérias do gênero Rickettsia. Esses patógenos estão diretamente associados à transmissão da febre maculosa e costumam ser encontrados tanto na vegetação quanto em ectoparasitas coletados em áreas monitoradas de Goiânia.
Contudo, ao realizarem o rastreamento genético do material recolhido, os pesquisadores depararam-se com sequências de DNA que não correspondiam a nenhum agente infeccioso previamente catalogado na literatura médica ou veterinária. A surpresa analítica redirecionou o escopo do estudo para o sequenciamento detalhado do material genético atípico encontrado.
Relação com capivaras e espécies de vetores
O protozoário inédito foi isolado a partir de amostras biológicas colhidas de capivaras e de duas espécies distintas de carrapatos, identificadas como Amblyomma sculptum e Amblyomma dubitatum. Entre os vetores mapeados no estudo está o conhecido carrapato-estrela, amplamente documentado por sua capacidade de atuar na transmissão de enfermidades na fauna silvestre e urbana.
A confirmação de que se tratava de um organismo inédito exigiu um rigoroso processo de validação laboratorial. O grupo da UFG contou com a colaboração de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) para realizar comparações filogenéticas e análises moleculares aprofundadas.
Impacto taxonômico e próximos passos científicos
Os testes comparativos comprovaram que a espécie recém-descoberta pertence a um ramo evolutivo inteiramente distinto de outros protozoários já descritos pela parasitologia. Como forma de honrar a cidade onde o material biológico foi obtido e analisado, o professor responsável sugeriu a denominação que agora eterniza o município na taxonomia científica global.
Apesar da relevância acadêmica do achado, os cientistas enfatizam que ainda é preciso cautela quanto aos riscos sanitários. Até o momento, não há comprovação de que a Babesia goianiaensis cause patologias em seres humanos ou em animais domésticos e silvestres, exigindo novas investigações sobre sua biologia, potenciais hospedeiros e formas reais de transmissão no ecossistema.
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