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Justiça determina soltura de suspeitos de matar casal em anápolis após prisão ser considerada ilegal

A reviravolta no caso que chocou a cidade de Anápolis ganhou novos contornos jurídicos após a decisão da Justiça de determinar a soltura de dois homens investigados pelo duplo homicídio de Hiago Almeida dos Santos, de 25 anos, e Ana Carolina Maia Nogueira, de 24. O crime ocorreu em um domingo (18), quando o casal foi morto a tiros em frente a uma distribuidora de bebidas localizada no bairro Maracanã.

A investigação policial havia apontado inicialmente para a rápida resposta das forças de segurança, resultando na captura dos suspeitos horas após a execução do crime. No entanto, o andamento processual revelou questionamentos cruciais sobre os procedimentos adotados durante as diligências que culminaram nas detenções.

Audiência de custódia aponta falhas processuais

Durante a audiência de custódia realizada na segunda-feira (19), o juiz Henrique Santos Magalhães Neubauer, da 3ª Vara Criminal de Anápolis, optou por relaxar as prisões de Ismael Cunha da Silva Filho e Mateus Rodrigues de Lima. O magistrado fundamentou sua decisão na constatação de que não havia situação legal de flagrante no momento da abordagem.

Conforme os registros do processo, os investigados foram localizados pelas equipes policiais cerca de sete horas após a ocorrência dos disparos. Pela legislação brasileira, a prisão em flagrante exige o contexto de perseguição imediata ou a localização logo após o crime com evidências diretas, o que não se configurou de forma estrito-sensu neste intervalo temporal.

Diligências policiais e apreensão de armas

Logo após o ocorrido, a Polícia Militar informou que realizou diligências que culminaram na localização dos suspeitos no município de Campo Limpo de Goiás. Segundo o relato policial da época, um dos homens teria confessado o envolvimento no ataque e apontado a participação do segundo suspeito.

As equipes policiais também relataram a localização posterior de um revólver calibre .38 e uma pistola .380 em uma propriedade rural da região. Contudo, o magistrado apontou em sua decisão que existem dúvidas substanciais acerca da efetiva ligação dessas armas com o duplo homicídio investigado.

Desdobramentos e apuração de irregularidades

Além de questionar a materialidade probatória imediata das armas apreendidas, a decisão judicial também destacou possíveis irregularidades no protocolo de obtenção das declarações dos suspeitos e na forma como ocorreu a entrada dos agentes em determinados imóveis durante a operação.

Diante desses apontamentos, o juiz determinou o encaminhamento integral dos autos ao Ministério Público e à Corregedoria da PM para que sejam apurados os relatos de supostas agressões durante a abordagem. Enquanto a esfera judicial revisa os procedimentos formais, o inquérito principal continua sob a responsabilidade da Polícia Civil para elucidar todas as circunstâncias do crime.

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