Elenco do atlético-go cobra salários atrasados e suspende entrevistas
A reta final da temporada no futebol brasileiro costuma ser marcada por decisões dentro das quatro linhas, mas o extracampo também ganha espaço no noticiário esportivo. Na noite de segunda-feira (19), os jogadores do Atlético-GO resolveram vir a público para cobrar o pagamento de vencimentos e outras obrigações contratuais que estariam em aberto. Por meio de uma carta aberta divulgada em conjunto, o grupo anunciou a suspensão de entrevistas coletivas e atendimento à imprensa como forma de protesto até que a situação financeira seja normalizada pela diretoria do clube.
A manifestação coletiva traz detalhes sobre o cenário econômico enfrentado pelos atletas nos bastidores do estádio Antônio Accioly. De acordo com o comunicado oficial assinado pelos profissionais, a gestão acumula débitos referentes a duas parcelas de salários, duas faturas de direitos de imagem e os repasses mensais obrigatórios do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Além disso, atletas que integram o plantel desde 2025 relatam pendências relativas à remuneração natalina do décimo terceiro salário e aos períodos de férias daquele ano, somando um passivo trabalhista considerável para com os profissionais.
Promessas não cumpridas e compromisso com o acesso
O mal-estar entre o grupo e a cúpula rubro-negra escalou após o descumprimento de prazos acordados internamente. Os atletas revelam que a diretoria havia firmado o compromisso de quitar parte dos débitos pendentes até sexta-feira (16), expectativa que acabou frustrada pelo não pagamento. A quebra de acordo pesou na decisão de endurecer a postura institucional por meio da paralisação parcial da comunicação com veículos de imprensa.
Apesar da insatisfação com a falta de quitação financeira, o elenco fez questão de deixar claro que a rotina esportiva não será afetada no que diz respeito ao esforço em campo. Os jogadores garantem que os treinamentos ocorrem normalmente e que a disputa do Campeonato Brasileiro da Série B segue como prioridade absoluta. Na nota, o grupo destaca que vitórias importantes conquistadas recentemente sobre adversários tradicionais, a exemplo de Criciúma, Goiás e América-MG, aconteceram justamente em meio às dificuldades financeiras, reforçando o foco total na busca pelo retorno à elite do futebol nacional.
A reação da diretoria e a busca por soluções
Do outro lado, a cúpula administrativa do clube reagiu à publicação do manifesto. A assessoria de imprensa do Atlético-GO informou que a cúpula diretiva foi pega de surpresa com a divulgação da carta aberta, mas assegurou que o canal de diálogo com o grupo permanece aberto. A gestão trabalha nos bastidores para encontrar alternativas financeiras capazes de liquidar as pendências trabalhistas e apaziguar o ambiente interno.
A possibilidade de equacionar as contas passa por receitas futuras e negociações passadas de atletas. Na semana anterior à manifestação, o presidente Adson Batista declarou publicamente que a instituição tem a receber a quantia de R$ 16 milhões referentes à venda de jogadores, prometendo utilizar esses recursos para colocar os pagamentos em dia e dar estabilidade financeira ao departamento de futebol.
Desafios imediatos no gramado e na tabela
Enquanto a diretoria tenta resolver o imbróglio financeiro, o time comandado pela comissão técnica precisa manter a concentração estritamente voltada para os compromissos oficiais da competição. Ocupando a sexta colocação com 54 pontos somados na tabela de classificação, o clube goiano tem confronto marcado para sábado (24), às 16h30, quando recebe a equipe do Novorizontino no estádio Antônio Accioly, em Goiânia.
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