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Polícia Federal prende vereador e familiares de Marcinho VP em operação contra facção

A Polícia Federal deflagrou uma ampla operação para desarticular esquemas de lavagem de dinheiro e exploração econômica ligados ao crime organizado no Rio de Janeiro. A ofensiva policial resultou em dezenas de mandados cumpridos e chamou a atenção pública ao atingir figuras com inserção política e laços familiares com lideranças históricas de facções criminosas que atuam no estado.

As investigações conduzidas pelas autoridades apontam que o grupo criminoso utilizava métodos violentos e estratégias empresariais para monopolizar a prestação de serviços essenciais em comunidades cariocas. O avanço das apurações revelou como estruturas corporativas e agentes públicos se integravam para movimentar recursos ilícitos e consolidar o domínio territorial na capital e na região metropolitana.

Operação Backbone desarticula monopólio da internet em comunidades

A chamada Operação Backbone concentrou esforços no combate ao controle clandestino de provedores de internet nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, situados na Zona Norte do Rio de Janeiro. De acordo com o inquérito policial, a facção criminosa impedia a atuação de empresas concorrentes por meio de ameaças diretas, sabotagens a equipamentos de transmissão e destruição de cabos de fibra óptica.

Os moradores e comerciantes dessas localidades eram obrigados a assinar os serviços controlados pela organização, transformando o fornecimento de rede em uma das principais fontes de financiamento do grupo. Registros contábeis analisados pelos investigadores demonstraram que o faturamento com essas cobranças chegou a representar uma fatia expressiva da arrecadação mensal da facção em áreas específicas.

Envolvimento de figuras públicas e familiares de liderança

Entre os alvos da operação estão Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mãe do rapper Oruam, e Lucas Santos Nepomuceno, irmão do artista. Os suspeitos possuem grau de parentesco com Marcinho VP, apontado como um dos principais líderes do Comando Vermelho e atualmente detido no sistema penitenciário federal.

Outro alvo de destaque foi o vereador carioca Fábio Silva Costa, eleito pelo Podemos em 2024, que acabou localizado e preso no interior do Paraná. A Polícia Federal aponta o parlamentar como beneficiário direto e proprietário de provedores de internet investigados por integrarem o esquema de exploração clandestina e ocultação de patrimônio ilícito.

Lavagem de dinheiro e bloqueio de bens milionários

A engrenagem financeira da organização contava com a atuação de operadores especializados, produtoras de eventos e empresas de fachada criadas para dar aparência legal aos recursos obtidos de forma criminosa. Para ocultar o rastro do dinheiro, os suspeitos utilizavam a aquisição de imóveis de alto padrão com pagamentos em espécie e movimentações por meio de criptoativos.

A Justiça autorizou o bloqueio judicial de até R$ 558 milhões em bens, abrangendo dezenas de pessoas físicas e jurídicas suspeitas de participação no esquema. Além das prisões preventivas, os órgãos competentes solicitaram medidas administrativas para cassar autorizações de funcionamento das empresas envolvidas e restabelecer a normalidade nos serviços de telecomunicação afetados.

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