Agronegócio goiano ganha destaque com líderes femininas em ranking nacional da Forbes

O protagonismo feminino na produção rural brasileira alcançou um novo marco com a publicação do levantamento das cem mulheres mais influentes do setor pela revista Forbes. Divulgada em celebração ao Dia Internacional da Mulher Rural, em 15 de outubro, a lista evidenciou a força da cadeia produtiva de Goiás ao selecionar três lideranças com trajetórias consolidadas em diferentes frentes econômicas: a pecuarista Ana Amélia Paulino, a empresária Camila Colpo e a empreendedora de base tecnológica Nathália Secco.
As profissionais representam polos estratégicos do interior goiano, como Porangatu, Formosa e Rio Verde. Suas atuações cobrem desde o manejo tradicional de rebanhos e a liderança de entidades sindicais até a gestão corporativa de empresas bilionárias de insumos e a introdução de soluções digitais voltadas à sustentabilidade nas lavouras.
Liderança sindical e pecuária de corte no norte do estado
Natural de uma família com tradição no campo, Ana Amélia Avelar Ferreira Paulino construiu sua trajetória combinando formação técnica e vivência prática. Graduada em Direito no estado de São Paulo, retornou às origens para assumir a gestão direta da Fazenda Barra das Onças, situada no município de Trombas. Na propriedade, coordena um plantel com cerca de 3 mil cabeças de gado Nelore, além de manter estrutura dedicada à criação de cavalos.
Sua atuação ultrapassou as porteiras da fazenda e alcançou a representação institucional da categoria. Ela preside a Comissão de Equideocultura da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e fez história ao se consolidar como a primeira mulher a comandar o Sindicato Rural de Porangatu, cargo que assumiu há dois anos e no qual disputa a reeleição.
Gestão corporativa e faturamento bilionário no setor de sementes
Outro destaque regional da publicação internacional é a engenheira agrônoma Camila Colpo, formada pela Universidade Federal de Goiás. Ela atua como presidente da Boa Safra Sementes, sediada em Formosa, companhia que registrou uma receita líquida de R$ 2,62 bilhões ao término do exercício fiscal de 2025.
O empreendimento teve início em 2009, fruto do trabalho conjunto entre Camila, seu irmão e o pai, falecido em 2018. O projeto inicial começou com a aquisição de terras na década de 1970, quando o patriarca vislumbrou o potencial agrícola do Cerrado. Hoje, a executiva reforça a relevância de projetar os municípios do interior goiano em cenários de alta competitividade e governança corporativa no mercado de grãos.
Inovação tecnológica e sustentabilidade aplicada ao campo
A transição de carreira também marca a presença goiana no ranking. Nathália Secco iniciou sua jornada profissional na música, com graduação na área e gravação de álbum na adolescência. Após um problema vocal congênito que inviabilizou sua continuidade como cantora lírica, direcionou suas competências para os negócios da família no meio rural, descobrindo o ecossistema das agritechs.
Radicada em Rio Verde, Nathália lidera atualmente as iniciativas do Orchestra Innovation Center e da Orchestra Ventures. Seu trabalho foca em integrar desenvolvedores de tecnologia e produtores para testes práticos no campo. As inovações implementadas permitiram reduzir em até 40% os custos com defensivos agrícolas por meio de aplicação localizada, modelo que rendeu à empresária reconhecimento internacional na Bélgica em 2025.
A presença de produtoras, administradoras e inovadoras em listas dessa magnitude reflete a diversificação de papéis assumidos por mulheres em todas as etapas da cadeia agropecuária brasileira. Para continuar acompanhando coberturas detalhadas sobre economia, produção regional e as transformações do setor produtivo, continue acessando os conteúdos de O Parlamento.




