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Golpe das falsas audiências virtuais gera prejuízo milionário a vítimas da Justiça em Goiás

Uma modalidade criminosa altamente sofisticada acendeu o alerta das forças de segurança pública nesta semana. Em apenas sete dias, o chamado golpe do falso advogado provocou um prejuízo estimado em cerca de R$ 1 milhão no estado de Goiás. O esquema chama a atenção das autoridades pela complexidade técnica e psicológica empregada para ludibriar cidadãos comuns que aguardam desfechos de ações nos tribunais.

Para conferir verossimilhança à farsa, criminosos passaram a recriar ambientes virtuais com cenografia forense, simulando audiências oficiais por videoconferência com o intuito de induzir as vítimas a acreditarem que estão em contato direto com magistrados e auxiliares da Justiça.

Golpe com encenação jurídica sofisticada engana partes processuais

O método adotado pelos estelionatários parte de um levantamento prévio de dados públicos a respeito de processos que tramitam no Poder Judiciário. De posse de números de ações, varas de origem e qualificações completas, o bando aborda pessoas que têm direito ao recebimento de indenizações, precatórios ou acordos homologados.

Para romper a barreira da desconfiança, os envolvidos se passam por advogados constituídos, assessores jurídicos, promotores de Justiça e até serventuários de cartórios. Nomes reais de operadores do Direito são usados indevidamente, acompanhados pelo envio de minutas adulteradas e documentos com símbolos oficiais da República para atestar suposta autenticidade.

Manipulação em tempo real substitui cobrança tradicional de taxas

Segundo explicou a delegada Lara Soares, da Polícia Civil, o grupo aperfeiçoou o modus operandi em relação a práticas anteriores de extorsão digital. Em vez de simplesmente solicitar depósitos antecipados de custas fictícias, os fraudadores convidam a vítima para uma chamada de vídeo estruturada como ato processual formal.

Durante a transmissão online, os criminosos conduzem a pessoa a acessar os aplicativos das próprias instituições financeiras no smartphone. Sob a alegação técnica de realizar procedimentos indispensáveis para a liberação das quantias devidas, os interlocutores induzem o usuário a autorizar transações bancárias imediatas, que acabam direcionadas diretamente para contas sob controle da organização.

Orientações das autoridades policiais para evitar prejuízos

Diante da reincidência de registros e do elevado montante desviado em curto período, a Polícia Civil reforçou que órgãos do Poder Judiciário jamais exigem operações financeiras prévias como requisito para levantamento de valores reconhecidos por sentença.

Especialistas e investigadores destacam que o cidadão deve adotar medidas preventivas rigorosas diante de qualquer abordagem digital:

  • Desconfiar de contatos não solicitados por telefone ou aplicativo de mensagens sobre processos;
  • Contatar o advogado responsável pela causa exclusivamente por meio de números conhecidos e validados previamente;
  • Nunca digitar senhas, chaves de segurança ou validar códigos Pix sob orientação de terceiros;
  • Suspender imediatamente chamadas de vídeo que solicitem o uso paralelo de aplicativos bancários.

O combate a fraudes eletrônicas tem sido intensificado pelas forças de segurança estaduais em articulação com entidades de classe, a exemplo da Ordem dos Advogados do Brasil, buscando conter a proliferação de perfis falsos que prejudicam litigantes e maculam o exercício regular da advocacia.

Compreender os mecanismos dessas fraudes digitais é fundamental para a proteção patrimonial e o exercício consciente da cidadania. Acompanhe a cobertura contínua de O Parlamento para se manter informado com apurações rigorosas, contextualizadas e comprometidas com a verdade dos fatos.

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