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Irmãos adotados por casal italiano passaram por adaptação delicada

Dois irmãos brasileiros, de 8 e 9 anos, adotados pelo casal italiano Nicola D’Alba e Maria Cristofaro, enfrentaram um período complexo de transição antes de se mudarem definitivamente para a Europa. As crianças viviam em uma instituição de acolhimento localizada em São Luís de Montes Belos, no oeste de Goiás, e precisaram se preparar para uma guinada profunda em suas rotinas, incluindo a superação da barreira do idioma e a adaptação a uma nova cultura.

O processo de adoção internacional envolve camadas que vão muito além da simples aproximação afetiva entre pais e filhos. De acordo com profissionais que acompanharam o caso, a mudança de país exigiu avaliações constantes para garantir o bem-estar psicológico e emocional dos menores, que deixaram suas referências locais para construir um novo futuro no exterior.

Aproximação digital e o início da convivência

Antes de o encontro físico acontecer, Nicola e Maria participaram de seis videochamadas autorizadas pela Justiça brasileira. Para tentar quebrar o gelo e minimizar a barreira linguística, o casal utilizou recursos criativos, como um teatro de bonecos durante as conversas virtuais. Essa fase preparatória foi fundamental para estabelecer o primeiro vínculo de confiança entre os futuros pais e as crianças.

Posteriormente, os italianos desembarcaram em Goiás e seguiram para São Luís de Montes Belos, onde participaram de uma audiência que formalizou o início do estágio de convivência. As crianças deixaram a instituição e mudaram-se temporariamente com o casal para Goiânia. Durante os 30 dias na capital goiana, a família recebeu 15 visitas de uma equipe técnica multidisciplinar, que elaborou relatórios detalhados para subsidiar a decisão judicial.

Desafios superados e a decisão da Justiça

A convivência inicial exigiu resiliência de ambas as partes. Nicola relatou que os problemas com a língua e as expectativas distintas geraram momentos de tensão, mas o objetivo comum de formar uma família prevaleceu. Maria também admitiu ter pensado em desistir em meio às dificuldades da adaptação, mas encontrou suporte no marido e na equipe técnica para seguir adiante.

A sentença que autorizou a adoção foi proferida em 27 de agosto pelo juiz Ageu de Alencar Miranda, da Vara da Infância e Juventude de São Luís de Montes Belos. O magistrado incluiu uma mensagem em italiano na decisão para saudar a nova família, destacando a relevância do ato. Com a documentação regularizada, os irmãos viajaram para Bari, no sul da Itália, onde foram integrados à rede de parentes e ingressaram na escola.

O contexto da adoção internacional

A tramitação foi acompanhada de perto pela Comissão Estadual Judiciária de Adoção Internacional de Goiás e pelo tribunal local. No ordenamento jurídico brasileiro, a modalidade internacional é acionada prioritariamente quando se esgotam as alternativas de colocação em família substituta no país para perfis específicos, seguindo rigorosos protocolos humanitários e legais.

O acompanhamento oficial da família continuará sendo realizado ao longo dos próximos dois anos para assegurar a plena integração das crianças. Histórias como esta evidenciam os desdobramentos de processos transnacionais que mobilizam equipes técnicas e o Poder Judiciário em prol do direito à convivência familiar.

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