Kim Kataguiri confronta parlamentares do PL em comissão sobre taxação de big techs

O deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) protagonizou um momento de tensão durante a reunião da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, realizada na última quarta-feira (14). O parlamentar utilizou o espaço para criticar duramente a ausência de membros do PL nas discussões, acusando parte da bancada bolsonarista de priorizar a produção de conteúdo para redes sociais em detrimento das atividades legislativas presenciais.
Embate sobre a criação da contribuição para serviços digitais
O foco da controvérsia foi o Projeto de Lei Complementar (PLP) 218/2020, que propõe a criação da Contribuição Social sobre Serviços Digitais (CSSD). A medida, relatada pelo deputado Merlong Solano (PT-PI), prevê uma alíquota de 3% sobre a receita bruta de grandes empresas de tecnologia, englobando plataformas de e-commerce, redes sociais e serviços de streaming. O objetivo declarado da proposta é financiar programas federais de renda básica.
Durante o debate, Kim Kataguiri manifestou forte oposição ao texto, argumentando que a taxação poderia gerar um efeito cascata, onerando pequenos empreendedores que dependem de anúncios digitais para impulsionar seus negócios. O deputado utilizou o exemplo de uma vendedora que investe R$ 50 em publicidade online, sugerindo que o custo final do tributo seria repassado ao pequeno comerciante. Contudo, o texto do projeto foca a incidência tributária diretamente nas grandes corporações de tecnologia.
Divergências políticas e o papel dos parlamentares
A crítica de Kim Kataguiri à bancada do PL ocorreu após o presidente em exercício da comissão, Paulo Guedes (PT-MG), constatar a ausência de autores de requerimentos que pediam a retirada da proposta de pauta. O deputado do União Brasil aproveitou a ocasião para questionar a postura de seus pares, sugerindo que o eleitorado deve avaliar com mais rigor a produtividade real dos parlamentares nas comissões temáticas.
Em um momento de ironia, o parlamentar rebateu as críticas que recebe de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar de ser frequentemente rotulado como “comunista” por setores da direita, Kataguiri defendeu que sua atuação contra a criação de novos impostos demonstra coerência com o liberalismo econômico que prega. Registros oficiais da Câmara indicam que cinco deputados do PL estavam presentes na Casa no dia, embora não haja confirmação de que estivessem no plenário no instante exato da fala.
Tramitação e próximos passos na comissão
O relator Merlong Solano defendeu a relevância da proposta, citando que o debate sobre a tributação de gigantes da tecnologia é uma tendência global para lidar com a concentração de renda no setor. Para o parlamentar petista, o crescimento econômico das plataformas digitais justifica a busca por novas fontes de receita para o Estado.
Após ter seu requerimento para retirar o projeto de pauta rejeitado, Kim Kataguiri solicitou vista da matéria. O movimento interrompeu a deliberação, impedindo que o parecer fosse votado naquele momento. O projeto segue, portanto, em análise na Comissão de Finanças e Tributação, mantendo o impasse sobre a viabilidade da CSSD. Para acompanhar os desdobramentos desta e de outras pautas que impactam a economia e a rotina do país, continue lendo O Parlamento, seu portal de referência em informação política com credibilidade e análise profunda.
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