Romeu Zema ironiza ação do MPE após entrar com celular na cabine de votação

O episódio em Araxá e a reação do candidato
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), protagonizou um episódio controverso durante o pleito deste domingo (4) em sua cidade natal, Araxá. Ao comparecer à Escola Estadual Delfim Moreira para exercer seu direito ao voto, o político ingressou na cabine de votação portando um aparelho celular, conduta que é expressamente vedada pela legislação eleitoral brasileira. O caso rapidamente ganhou repercussão nacional após o próprio governador utilizar suas redes sociais para comentar o ocorrido.
Em publicação na plataforma X, Zema ironizou a situação ao afirmar que teria utilizado uma ferramenta denominada por ele como “colinha virtual”, disponibilizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O governador classificou como uma “ação criminal” o procedimento aberto pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) para investigar o incidente. Segundo o relato do político aos jornalistas presentes no local, ele não teria sido advertido pelos mesários sobre a necessidade de deixar o dispositivo antes de se dirigir à urna, negando qualquer tentativa de registrar ou fotografar o voto.
O rigor da lei e a proteção do sigilo do voto
A proibição do porte de aparelhos eletrônicos dentro da cabine de votação não é uma medida recente, mas um pilar fundamental para garantir a integridade do processo democrático. Conforme estabelecido pelo parágrafo único do artigo 91-A da Lei das Eleições (Lei 9.504/1997), o uso de celulares, máquinas fotográficas e filmadoras é estritamente proibido no momento em que o eleitor está diante da urna eletrônica.
O TSE reforça que a medida visa preservar o sigilo do voto, impedindo que o eleitor produza provas de sua escolha, prática frequentemente associada a esquemas de compra de votos e coação eleitoral. Embora o uso de dispositivos seja permitido para a apresentação do e-Título ou consulta de informações antes do acesso à cabine, o eleitor deve obrigatoriamente entregar o aparelho aos mesários antes de votar. Caso haja recusa, o cidadão é impedido de prosseguir com a votação, com o registro da ocorrência em ata e possível acionamento de forças policiais.
Desdobramentos jurídicos e orientações do TSE
O diretor-geral do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), Rodolfo Pacheco, confirmou que o MPE apresentou uma representação referente ao episódio envolvendo o governador. O caso segue agora para análise da Justiça Eleitoral, que deverá avaliar se houve infração passível de sanção. A defesa de Zema sustenta que não houve má-fé, enquanto o tribunal mantém o posicionamento de que as regras são claras e aplicáveis a todos os cidadãos, sem distinção de cargo ou posição política.
Para as próximas eleições, o TSE tem intensificado as campanhas de conscientização, recomendando que o eleitor anote seus candidatos em papel ou utilize a “colinha” oficial impressa, evitando qualquer dependência de dispositivos digitais no momento crítico da votação. O incidente com Zema reacende o debate sobre a fiscalização rigorosa nas seções eleitorais e a responsabilidade das autoridades em dar o exemplo no cumprimento das normas que regem o pleito.
O Parlamento segue acompanhando os desdobramentos deste caso e os principais fatos que movimentam o cenário político nacional. Continue conosco para uma cobertura completa, pautada pela transparência e pelo compromisso com a informação de qualidade.




