Estudante é impedido de realizar vestibular da UFG por uso de bomba de insulina

O sonho de ingressar no ensino superior foi interrompido de forma traumática para João Pedro Ladislau, de 17 anos. No último domingo (27), o estudante, que convive com diabetes desde a infância, foi impedido de realizar a prova do vestibular da Universidade Federal de Goiás (UFG) por utilizar um Sistema de Infusão Contínua de Insulina. O episódio, ocorrido em um dos locais de prova, gerou um debate sobre acessibilidade e a rigidez dos processos seletivos em relação a condições de saúde.
O impacto do impedimento e a sensação de exclusão
Ao chegar ao local do exame, João Pedro buscou a coordenação para informar sobre a necessidade do uso do dispositivo médico, essencial para o controle de sua glicemia. Segundo o relato do jovem, a tentativa de diálogo não foi suficiente para reverter a decisão da organização, que o retirou do local antes do início das provas. O estudante descreveu o momento como uma situação de profundo desamparo.
“Durante o momento lá, eu me senti bastante acuado, triste, principalmente por ser uma prova tão importante para mim, que eu teria expectativa de passar”, desabafou João Pedro. A mãe do estudante, a servidora Alana Ladislau, afirmou que o filho chegou a se sentir culpado pelo ocorrido, como se o uso de um equipamento vital fosse uma irregularidade. Para a família, o caso expõe a falta de sensibilidade com as limitações enfrentadas por pessoas com diabetes, que dependem da tecnologia para manter a qualidade de vida.
Divergências sobre o processo de inscrição
O ponto central da controvérsia reside na documentação exigida pelo edital. A família alega que houve uma falha técnica no sistema durante a inscrição, que teria impedido o envio do laudo médico necessário para solicitar a condição especial. Segundo Alana, a tentativa de resolver a pendência via e-mail ocorreu meses antes da prova, mas não obteve o desfecho esperado, culminando na ausência da autorização formalizada.
Em nota oficial, o Instituto Verbena, responsável pela organização do certame, afirmou que não foi identificada falha no sistema e que o candidato não enviou o comprovante do erro solicitado pela instituição. A banca reforçou que o edital estabelece prazos rigorosos para a comunicação de necessidades especiais, visando garantir a isonomia entre os participantes. O instituto argumentou que a solicitação, apresentada apenas no dia do exame, impossibilitou a análise técnica necessária para a segurança do processo.
A luta por inclusão e a superação
A repercussão do caso nas redes sociais trouxe um novo fôlego ao estudante. Ao perceber que não estava sozinho em sua vivência, João Pedro relatou sentir-se mais tranquilo. A história de superação do jovem, que lida com o diagnóstico desde o primeiro ano de vida, levanta questões sobre como instituições de ensino devem adaptar seus protocolos para acolher candidatos com doenças crônicas sem comprometer a integridade dos concursos.
Atualmente, o estudante prefere não alimentar expectativas de uma reaplicação da prova pela UFG. O foco agora está voltado para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que ocorre no final do ano. “Eu não estou com nenhuma expectativa de fazer outra prova da UFG. Minha expectativa é o Enem, que é agora no final do ano”, concluiu o jovem, que busca seguir em frente após o aprendizado doloroso.
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