Fisioterapeuta é presa em Goiânia por suspeita de mutilar pacientes em procedimentos estéticos

Investigação aponta irregularidades graves em procedimentos
A Polícia Civil de Goiás prendeu, nesta segunda-feira (22), a fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva, sob a suspeita de causar lesões graves em pacientes durante a realização de procedimentos estéticos. A investigação, conduzida pelo delegado Alex Rodrigues, aponta que a profissional teria extrapolado os limites técnicos e legais de sua atuação, realizando intervenções cirúrgicas para as quais não possuía autorização ou competência clínica.
O caso ganhou contornos ainda mais alarmantes após a divulgação de um vídeo em que a suspeita aparece utilizando um guardanapo comum para limpar cortes em uma paciente durante uma ninfoplastia. Segundo as autoridades, a conduta, realizada sem o uso de máscara ou materiais estéreis, foge completamente aos protocolos de biossegurança exigidos para qualquer procedimento invasivo.
Relatos de vítimas e danos à saúde
Até o momento, nove mulheres procuraram a Polícia Civil para denunciar complicações severas após passarem pelas mãos da profissional. Os relatos descrevem um cenário de negligência e danos físicos permanentes. Entre as queixas, as pacientes mencionam dores intensas, sangramentos, infecções, necrose e perda de tecido em regiões íntimas, faciais, glúteas e mamárias.
Uma das vítimas relatou à TV Anhanguera que a profissional não utilizava equipamentos de proteção individual básicos, como luvas estéreis ou máscaras, e que a falta de higiene era evidente durante os atendimentos. Outra paciente, submetida a uma ninfoplastia, afirmou ter sofrido danos ao clitóris e aos pequenos lábios, resultando em dificuldades para urinar e evacuar, além de prejuízos irreversíveis à sensibilidade e à vida sexual.
Posicionamento das autoridades e defesa
O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 19ª Região (CREFITO-19) informou, por meio de nota oficial, que instaurou um processo administrativo e ético-disciplinar para apurar a conduta da profissional. A autarquia reforçou que, caso as denúncias sejam confirmadas, o caso será tratado com o máximo rigor, visto que a prática configura um grave desvio profissional.
A defesa de Magda Oliveira da Silva, representada pela Sílvio Maia Assessoria, manifestou-se declarando que a profissional está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. Em nota, os advogados enfatizaram a presunção de inocência e afirmaram que confiam na demonstração da regularidade da conduta durante o trâmite processual. A defesa também solicitou cautela na divulgação de informações, alegando que os fatos serão devidamente fundamentados em laudos técnicos e periciais.
O impacto da fiscalização na estética
O caso em Goiânia reacende o debate sobre a necessidade de maior fiscalização em procedimentos estéticos invasivos realizados por profissionais que não possuem formação médica específica para cirurgias. A Anvisa reforça constantemente que intervenções que envolvem cortes e retirada de tecidos devem ser restritas a ambientes hospitalares ou clínicas devidamente licenciadas, com equipe capacitada para lidar com intercorrências.
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