Suspeito de aliciar menor em Anápolis orientou fuga e sugeriu dopar familiares

A Polícia Civil de Goiás revelou detalhes perturbadores sobre o caso de uma adolescente de 13 anos que permaneceu desaparecida por quatro dias em Anápolis, na região central do estado. O homem de 19 anos, apontado como autor do aliciamento, não apenas convenceu a jovem a deixar sua residência, mas teria fornecido um roteiro detalhado para que ela escapasse sem ser detectada pelas autoridades ou por familiares.
Estratégia de fuga e manipulação psicológica
De acordo com a delegada Aline Lopes, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Anápolis, o suspeito demonstrou um planejamento metódico para garantir que a adolescente não fosse localizada. Entre as orientações dadas pelo homem, estavam a destruição do aparelho celular e instruções precisas sobre como evitar o monitoramento por câmeras de segurança durante o trajeto de fuga.
A manipulação teria atingido um nível ainda mais grave, com o suspeito sugerindo que a menina utilizasse substâncias para dopar os próprios familiares, uma prática conhecida popularmente como “boa noite, Cinderela”. O objetivo seria garantir que ela pudesse sair de casa na madrugada de domingo (6) sem ser vista ou impedida por seus responsáveis.
Conexão via redes sociais e investigação
As investigações apontam que o contato entre o suspeito e a vítima teria ocorrido por meio da plataforma Discord. Embora o homem tenha alegado em depoimento que sua intenção era “ajudar” a adolescente por ela estar “infeliz”, a polícia trabalha com a hipótese de aliciamento predatório. A delegada Aline Lopes ressaltou que, embora o suspeito apresente versões contraditórias, a linha de investigação mais sólida indica que eles não se conheciam pessoalmente antes do contato virtual.
Em resposta aos questionamentos sobre a segurança na plataforma, o Discord emitiu nota oficial afirmando que possui um “profundo compromisso com a segurança dos usuários”. A empresa destacou que utiliza tecnologias avançadas e equipes especializadas para remover conteúdos que violem suas políticas, além de oferecer ferramentas de controle parental para prevenir casos de exploração sexual e aliciamento.
Cárcere privado e desfecho do caso
A adolescente foi localizada em um barracão abandonado, onde o suspeito a mantinha escondida. Segundo apurações da Polícia Civil, o homem havia alugado um imóvel próximo ao seu local de trabalho com a intenção de coabitar com a menor a partir da tarde de terça-feira (9). Antes de partir, a jovem deixou uma carta de despedida, na qual expressava incerteza sobre seu retorno e declarava estar seguindo com alguém que “amava”, evidenciando o grau de envolvimento emocional induzido pelo suspeito.
O homem, que não teve a identidade revelada, responderá pelos crimes de estupro de vulnerável e cárcere privado. Como a defesa do suspeito não foi localizada, o caso segue sob sigilo e acompanhamento das autoridades competentes. O Parlamento continua acompanhando o desdobramento deste caso e outros temas de relevância social, mantendo nosso compromisso com a apuração rigorosa e a informação de qualidade para nossos leitores.



