Polícia Federal investiga financiamento de filme sobre Bolsonaro em operação no STF

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (10), a Operação Make Up, uma ofensiva que mira o financiamento da produção cinematográfica Dark Horse, obra que narra a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), apura indícios de irregularidades na origem e na movimentação dos recursos utilizados para viabilizar o longa-metragem.
Alvos e abrangência da Operação Make Up
Entre os principais alvos da operação estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a produtora Karina Ferreira da Gama. A ação, realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), mobilizou o cumprimento de 49 mandados de busca e apreensão contra 22 pessoas. As diligências ocorreram simultaneamente em quatro unidades da federação: São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
O foco central das autoridades é esclarecer se houve o emprego irregular de emendas parlamentares ou o desvio de outras verbas públicas destinadas a entidades e empresas que possuem vínculos com a produtora do filme. Embora a operação tenha sido autorizada pelo STF, não foram expedidos mandados de prisão contra os investigados até o momento.
Conexões e investigações paralelas no Supremo
O caso, que originalmente tramitava na Justiça de São Paulo, foi deslocado para o STF devido à natureza das suspeitas e ao envolvimento de figuras com prerrogativa de foro. Atualmente, existem duas frentes de apuração distintas na Corte sobre o mesmo projeto cinematográfico. Enquanto a investigação relatada pelo ministro Flávio Dino concentra-se no possível uso de dinheiro público, uma segunda frente, sob a relatoria do ministro André Mendonça, analisa repasses privados.
Esta segunda investigação apura transferências realizadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. Segundo apurações do The Intercept Brasil, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria solicitado recursos ao ex-banqueiro para o projeto. Relatos indicam que, em 2025, Vorcaro teria repassado ao menos R$ 61 milhões, montante que teria sido enviado a um fundo nos Estados Unidos administrado por um advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL).
Colaboração premiada e movimentações financeiras
O cenário jurídico do caso ganhou contornos mais definidos na quarta-feira (9), quando o ministro André Mendonça homologou a colaboração premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro. Dono da Entre Investimentos, o colaborador afirmou ter realizado, a pedido de Vorcaro, sete repasses ao fundo Havengate, situado nos Estados Unidos.
De acordo com o depoimento, as transferências ocorreram entre janeiro e setembro de 2025, totalizando US$ 12,333 milhões — aproximadamente R$ 62,8 milhões na cotação da época. O colaborador revelou que a solicitação inicial era para remessas que totalizariam US$ 24 milhões, mas apenas parte das operações foi concretizada. O filme Dark Horse, pivô das investigações, conta com o ator norte-americano Jim Caviezel interpretando o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O portal O Parlamento segue acompanhando os desdobramentos desta investigação e os próximos passos das diligências da Polícia Federal. Mantenha-se informado sobre os fatos que movimentam o cenário político e jurídico do país com a nossa cobertura diária, pautada pela transparência e pelo rigor jornalístico.




