Fachin é único ministro do STF presente no desfile de 7 de Setembro em Brasília

Presença solitária em meio à tensão institucional
O desfile cívico-militar em comemoração aos 204 anos da Independência do Brasil, realizado nesta segunda-feira (7) na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, foi marcado pela ausência quase total da cúpula do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Edson Fachin foi o único representante da Corte a comparecer à tribuna de honra, onde acompanhou a cerimônia ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A presença de Fachin ocorreu em um momento de acentuada instabilidade interna no tribunal. Ao seu lado, na primeira fila, estavam os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), além do vice-presidente Geraldo Alckmin. A ausência dos demais ministros do STF, que foram convidados conforme o protocolo oficial, reflete o clima de distanciamento entre o Judiciário e os eventos públicos em um período de crise.
Contexto de crise no Supremo Tribunal Federal
O esvaziamento da representação do STF no evento ocorre menos de uma semana após o agravamento de uma disputa interna envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. O conflito, que ganhou contornos públicos após desdobramentos de investigações sobre o Banco Master, colocou a Corte sob holofotes e gerou um clima de tensão institucional.
Moraes e Mendonça trocaram acusações sobre a condução de apurações, levando o caso para a mesa de Edson Fachin, que assumiu a análise dos procedimentos decorrentes do embate. Enquanto Fachin optou por comparecer ao desfile, outros magistrados justificaram ausências por compromissos fora da capital federal ou questões de agenda, evidenciando a fragmentação atual do colegiado em eventos de Estado.
Histórico de participações e o peso do feriado
A baixa adesão dos ministros não é um fenômeno isolado, mas contrasta com o cenário de anos anteriores. Em 2024, seis integrantes da Corte prestigiaram o desfile, incluindo o então presidente Luís Roberto Barroso. Já em 2025, o esvaziamento foi total, em um contexto marcado pelo início do julgamento de Jair Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe de Estado.
O feriado de 7 de Setembro, historicamente uma data de celebração da soberania nacional, tem sido utilizado nos últimos anos como termômetro político. Paralelamente ao desfile oficial, grupos de direita organizaram manifestações em diversas cidades brasileiras, focando críticas na atuação do STF e reiterando pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, pauta que ganhou tração após os recentes episódios envolvendo o Banco Master.
Desdobramentos e o papel de Fachin
Além de representar o Judiciário na tribuna, Edson Fachin centraliza agora a resposta institucional à crise. Após a retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal por parte de Mendonça, que apontava contatos entre Moraes e o ex-controlador do banco, o caso escalou para o plenário. A Procuradoria-Geral da República (PGR) questionou a origem das apurações, e o desfecho depende agora de uma pauta a ser definida por Fachin.
O desfile deste ano, que teve como eixos centrais a soberania, o combate à violência contra as mulheres e a promoção da Copa do Mundo Feminina de 2027, serviu como pano de fundo para uma demonstração de unidade entre os chefes dos Três Poderes, apesar das tensões latentes. Para acompanhar os próximos capítulos dessa crise e os desdobramentos jurídicos e políticos que afetam o país, continue lendo O Parlamento, seu portal de referência em informação contextualizada e imparcial.




