Pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes ganha 41 assinaturas no Congresso

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) protocolou junto à Mesa Diretora do Senado Federal um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que já conta com o apoio de 41 parlamentares. A iniciativa, que mobilizou 29 senadores e 12 deputados, baseia-se em acusações de crime de responsabilidade, motivadas por informações contidas em um relatório da Polícia Federal (PF) que detalha conversas entre o ministro e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
O documento foi inicialmente apresentado na terça-feira (2) com 40 assinaturas, recebendo a adesão do senador Marcos do Val (Avante-ES) no dia seguinte, elevando o total. Entre os signatários, destaca-se a presença do senador Flávio Arns (PSB-PR), integrante da base do governo, o que confere um matiz político adicional à movimentação.
O Pedido de Impeachment e as Acusações da PF
A essência do pedido de impeachment reside na acusação de advocacia administrativa contra o ministro Alexandre de Moraes. Segundo Damares Alves e os demais signatários, os contatos de Moraes com Daniel Vorcaro, nos quais o banqueiro teria solicitado intervenções junto a órgãos de investigação, ocorreram em um período em que o Banco Master mantinha um contrato de assessoria jurídica com o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro.
A representação protocolada argumenta que a conduta de um ministro do STF em favor de interesses privados específicos, especialmente junto a órgãos reguladores técnicos como o Banco Central, corrompe a legitimidade da própria Corte. A senadora enfatiza que “não há ingenuidade institucional que justifique ignorar o peso de uma interlocução realizada por um ministro do STF”, tornando a abertura do processo uma medida “constitucionalmente necessária” para preservar a lógica de responsabilidade do Estado Democrático de Direito.
O relatório da Polícia Federal, divulgado por determinação do ministro André Mendonça, detalha a preocupação de Vorcaro com possíveis ações contra ele. Em mensagens atribuídas a Moraes, o banqueiro menciona a necessidade de contatar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. As respostas atribuídas ao ministro, no entanto, foram enviadas em formato de visualização única, impedindo a recuperação de seu conteúdo.
A investigação da PF também apontou para um contrato de R$ 3 milhões mensais entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci, além de tratativas sobre eventos com a presença de Moraes em Londres. Os metadados de um documento relacionado ao contrato indicavam o usuário “Ministro Alexandre de Moraes” como responsável pela última alteração. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também é mencionado nas conversas, com registros de contato telefônico com Vorcaro e um pedido de custeio de passagem e hospedagem para seu filho em um evento jurídico patrocinado pelo Banco Master, posteriormente cancelado.
É importante ressaltar que a Polícia Federal, em seu relatório, esclareceu que não realizou diligências investigativas contra magistrados ou membros do Ministério Público e não concluiu que o ministro Moraes tenha cometido crime, interferido em apurações ou atendido aos pedidos de Vorcaro.
Repercussão Política e a Busca por Novas Adesões
A senadora Damares Alves expressou confiança na ampliação do número de assinaturas, afirmando que o pedido de impeachment não é uma iniciativa isolada, mas uma resposta direta à demanda da opinião pública por uma postura do Senado. A adesão de um senador da base governista, como Flávio Arns, sugere que o tema pode transcender as divisões partidárias tradicionais, ao menos em parte.
A movimentação no Congresso reflete um cenário de tensões crescentes entre os Poderes, com debates recorrentes sobre os limites de atuação de cada instituição. A busca por mais adesões ao pedido de impeachment demonstra a intenção de Damares Alves e seus apoiadores de dar robustez política à iniciativa, pressionando por uma análise aprofundada do caso no Senado, que é a instância responsável por julgar processos de impeachment contra ministros do STF.
A Posição do Supremo Tribunal Federal Diante do Caso
Em meio à repercussão do relatório da PF e do pedido de impeachment, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, manifestou-se publicamente. Sem citar nomes específicos, Fachin afirmou que o momento é de “especial gravidade” e defendeu a preservação da integridade da Corte, a autoridade de suas decisões e a confiança da sociedade na instituição.
O ministro Fachin esclareceu que a presidência do STF está analisando os fatos com a devida cautela e sem precipitação. Ele assegurou que, nos próximos dias, após a conclusão da análise necessária e a observância dos procedimentos institucionais pertinentes, as medidas cabíveis e necessárias serão anunciadas. A declaração de Fachin sublinha a seriedade com que o Supremo encara as acusações e a importância de uma resposta institucional que reforce a credibilidade do Poder Judiciário.
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