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Delegado nega envolvimento em desvio de cargas após afastamento em Goiás

O delegado Alexandre Bruno Barros, ex-titular da Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (Decar) em Goiânia, rompeu o silêncio após ser afastado de suas funções por suspeita de participação em um esquema de desvio de mercadorias apreendidas. Em entrevista recente, o policial refutou categoricamente as acusações conduzidas pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), alegando que seu patrimônio é fruto exclusivo de seu trabalho e esforço pessoal.

O afastamento, que tem duração inicial de 90 dias, também atingiu o escrivão Sílvio Pereira de Macedo e o policial civil Antônio Gomes de Assis Sobrinho. A investigação, batizada de Operação Depositário Infiel II, apura como cargas recuperadas em operações policiais teriam sido desviadas e comercializadas ilegalmente no mercado informal, gerando prejuízos significativos e levantando questionamentos sobre a gestão de bens apreendidos pela instituição.

Contexto da investigação e a gestão na Decar

As suspeitas ganharam força após o MPGO identificar irregularidades ligadas ao desvio de uma carga de vergalhões, avaliada em cerca de R$ 400 mil, apreendida durante a operação “Fogo Amigo” em 2021. Segundo os promotores, o material teria sido encaminhado a depósitos particulares de um empresário conhecido como “Carioca”, que supostamente atuava como depositário da maioria das apreensões da delegacia especializada.

A apuração aponta que, após o armazenamento, as mercadorias eram alienadas de forma clandestina, com a divisão dos lucros entre os envolvidos. A descoberta de conversas em dispositivos móveis apreendidos em 2023 teria reforçado a tese do Ministério Público sobre a existência de negociações ilícitas envolvendo os bens sob custódia da polícia.

Defesa aponta falta de estrutura estatal

Em sua defesa, o delegado Alexandre Bruno Barros sustenta que a utilização de depósitos privados era uma medida de necessidade, dada a ausência de infraestrutura adequada da Polícia Civil de Goiás para o armazenamento de grandes volumes de carga. Segundo sua assessoria, o problema foi formalmente comunicado à Superintendência de Polícia Judiciária ainda em maio de 2022, por meio de um ofício que alertava para o risco de furtos ou danos aos bens.

O delegado destaca que, diante da resposta negativa do Estado sobre a viabilidade de galpões públicos, ele teria revogado autorizações de depósitos particulares em janeiro de 2023. Além disso, o policial afirma ter convidado o Ministério Público para inspeções na sede da Decar, visando comprovar a precariedade das instalações, e que enviou representações ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) solicitando intervenção.

Repercussão e próximos passos

Sobre a acusação de ter recebido R$ 200 mil em espécie para a compra de um imóvel em condomínio, o delegado negou veementemente a transação. “Eu moro em uma casa de bairro. Não moro em condomínio fechado”, declarou. A Polícia Civil de Goiás informou, por meio de nota, que a Corregedoria instaurou procedimento para apurar as condutas dos servidores, mantendo as diligências sob sigilo enquanto cumpre as determinações judiciais.

O caso coloca em evidência a complexidade da logística de custódia de bens apreendidos em operações de grande porte, um desafio que transcende a esfera administrativa e atinge a credibilidade das instituições de segurança pública. O portal O Parlamento continuará acompanhando o desenrolar das investigações e os desdobramentos jurídicos deste caso, mantendo seu compromisso com a apuração rigorosa e a transparência informativa para nossos leitores.

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