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Flávio Bolsonaro é alvo do PT no Conselho de Ética por caso Dark Horse

O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou, nesta quarta-feira (2), uma representação formal junto ao Conselho de Ética do Senado Federal contra o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A medida busca a investigação de uma possível quebra de decoro parlamentar relacionada ao financiamento do documentário Dark Horse, obra que narra a trajetória política de Jair Bolsonaro.

Contradições sobre o financiamento milionário

A ofensiva petista, assinada pelo líder da bancada, Camilo Santana (PT-CE), baseia-se em divergências entre as declarações públicas do senador e os registros financeiros revelados pela imprensa. O cerne da questão envolve a relação entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo as apurações, o parlamentar teria negociado um aporte de US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões, para a viabilização da produção cinematográfica.

Documentos obtidos indicam que, entre fevereiro e maio de 2025, foram repassados cerca de US$ 10,6 milhões (aproximadamente R$ 61 milhões). O senador sempre sustentou que buscou patrocínio privado para um projeto de natureza particular, negando o uso de verbas públicas ou recursos da Lei Rouanet. Além disso, Flávio Bolsonaro afirmou categoricamente que não obteve vantagens pessoais nem ofereceu contrapartidas políticas ao investidor.

Novos repasses e o cerco das evidências

O cenário ganhou contornos mais complexos com a descoberta de uma nova transferência de US$ 1,6 milhão, realizada em setembro de 2025. Com este montante, o total de aportes conhecidos de Daniel Vorcaro alcança a marca de US$ 12,3 milhões. O fato ganha relevância pois o pagamento ocorreu meses após a data que o senador havia indicado como o encerramento das transações financeiras.

Após a divulgação de áudios em que o parlamentar aparece cobrando recursos de Vorcaro, Flávio Bolsonaro reiterou que os repasses teriam cessado em maio de 2025. Questionado sobre a nova movimentação financeira revelada nesta semana, o senador optou por não dar explicações diretas, direcionando os questionamentos à produtora responsável pelo filme.

Desafios para o Conselho de Ética

A representação do PT coloca o Conselho de Ética do Senado sob pressão, uma vez que o colegiado encontra-se inativo, sem deliberações desde julho de 2024 e sem reuniões agendadas. A estratégia petista faz parte de um movimento mais amplo que inclui a cobrança pela retirada do sigilo de investigações em curso e o escrutínio sobre a atuação de autoridades, como o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

O PT defende que o Senado não pode ignorar a gravidade das contradições apresentadas. Para o partido, o mandato parlamentar exige responsabilidade e transparência, não podendo ser utilizado como salvaguarda diante de evidências que confrontam as versões oficiais. Enquanto o processo segue seus trâmites, o debate sobre os limites entre a atividade privada e o exercício do poder público ganha força nos bastidores de Brasília.

O Parlamento segue acompanhando os desdobramentos desta investigação e os próximos passos do Conselho de Ética. Continue conosco para manter-se informado sobre os fatos que moldam o cenário político nacional com a profundidade e a credibilidade que você exige.

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