Saúde

Brasileiros adiam busca por ajuda médica para sintomas de câncer colorretal, aponta estudo

Apesar da crescente conscientização sobre a importância da saúde intestinal, uma parcela significativa da população brasileira ainda posterga a busca por assistência médica diante de sintomas que podem indicar o câncer colorretal. Um levantamento recente, realizado pelo Hospital A. C. Camargo em parceria com a Nexus, acende um alerta sobre essa realidade, revelando que, mesmo reconhecendo a gravidade de sinais como sangue nas fezes e alterações persistentes no funcionamento do intestino, muitos brasileiros hesitam em procurar um diagnóstico precoce. Essa demora pode ter consequências sérias, considerando que o câncer colorretal figura como o segundo tipo de tumor mais incidente no país, com projeções de mais de 53 mil novos casos anuais para o triênio 2026-2028, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Atraso no diagnóstico de câncer colorretal: um risco crescente para a saúde pública

O estudo, que ouviu mais de 2 mil pessoas, expõe uma contradição preocupante: enquanto oito em cada dez entrevistados declaram ter consciência da seriedade de sintomas como sangramento retal e mudanças no hábito intestinal por mais de um mês, quase metade deles não busca atendimento médico com a rapidez necessária. Essa hesitação é um fator crítico, pois a detecção precoce do câncer colorretal é fundamental para o sucesso do tratamento e o aumento das taxas de cura. A pesquisa detalha que, entre os 9% que já notaram a presença de sangue nas fezes, 40% não agiram imediatamente. As respostas variam desde esperar o sintoma passar, adiar a consulta por dias ou semanas, até recorrer a soluções caseiras, automedicação na farmácia ou pesquisa na internet antes de buscar orientação profissional.

Sintomas e a percepção da população brasileira

Apesar de 67% dos participantes do levantamento concordarem que os sintomas mencionados podem indicar a doença – e 24% concordarem muito – a lacuna entre o conhecimento e a ação ainda é grande. Essa disparidade sugere que, embora a informação sobre os sinais de alerta esteja presente, outros fatores podem influenciar a decisão de procurar ajuda médica. O medo do diagnóstico, a falta de acesso facilitado a serviços de saúde ou até mesmo a crença em soluções alternativas podem contribuir para o adiamento, colocando a saúde dos indivíduos em risco desnecessário. O líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A. C. Camargo Cancer Center, Samuel Aguiar, enfatiza a importância de não ignorar esses sinais, que incluem também dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente.

Desconhecimento sobre exames preventivos essenciais

Um dos achados mais alarmantes da pesquisa é o vasto desconhecimento em relação ao exame de “Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes” (PSO), uma ferramenta crucial para identificar a doença em estágios iniciais, antes mesmo do surgimento de sintomas evidentes. Dois em cada três entrevistados (67%) nunca ouviram falar do PSO. Apenas 11% já realizaram o procedimento, enquanto 21% o conhecem, mas nunca o fizeram. O desconhecimento é ainda mais acentuado entre os jovens de 16 a 24 anos (85%), homens (76%), pessoas com menor renda (73%) e aqueles com ensino fundamental incompleto (72%). Essa disparidade ressalta a necessidade urgente de campanhas de conscientização direcionadas, capazes de alcançar os grupos mais vulneráveis e promover o acesso à informação sobre a importância da prevenção e do rastreamento.

A importância do diagnóstico precoce e a realidade nacional

Samuel Aguiar reforça que a realização de exames preventivos é recomendada a partir dos 45 anos, ou antes, dependendo do histórico familiar e da orientação médica. Ele destaca que o diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente associado a taxas de cura significativamente mais elevadas. Exames simples como o PSO e a colonoscopia são ferramentas poderosas na detecção da doença em seu estágio inicial, quando as chances de tratamento bem-sucedido são maiores. A realidade do câncer colorretal no Brasil ganhou destaque público com o caso da cantora Preta Gil, que faleceu em julho do ano passado após dois anos de tratamento contra a doença, servindo como um lembrete doloroso da gravidade e da prevalência desse tipo de câncer em nossa sociedade. Para mais informações sobre saúde e prevenção, acesse o portal da Agência Brasil.

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