Resgate de menino trancado em apartamento de Goiânia revela situação de abandono

Um caso de extrema vulnerabilidade chocou os moradores do Setor Faiçalville, em Goiânia, na última quinta-feira (9). Um menino de 10 anos foi resgatado por conselheiros tutelares após ser encontrado trancado em um quarto de apartamento, sem acesso a alimentação adequada ou condições básicas de higiene. O episódio, que expõe uma grave violação dos direitos da criança, mobilizou as autoridades locais e gerou comoção na vizinhança.
A rotina de isolamento e os pedidos de socorro
Relatos de vizinhos indicam que o isolamento da criança não era um evento isolado. Segundo a vendedora Loiana Kelly Brito, o menino frequentemente gritava por socorro através da janela do imóvel. A criança, que passava longos períodos sozinha, mantinha contato com outras crianças que brincavam no pátio do prédio, tornando-se uma figura conhecida pelos moradores, que já haviam tentado buscar auxílio junto ao Conselho Tutelar em ocasiões anteriores.
O síndico do condomínio, Carlos Eduardo Freitas, descreveu a situação como dolorosa. A interação da criança com os colegas de prédio, enquanto permanecia confinada, revelava a dimensão da negligência. A mãe, que não teve a identidade revelada, foi presa pela Polícia Civil e deve responder pelo crime de abandono de incapaz.
O resgate e as condições de saúde da criança
A operação de resgate, que contou com o apoio da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, foi registrada em vídeo. O conselheiro tutelar José Roberto utilizou uma escada para alcançar a janela do quarto e dialogar com o menino. Durante a abordagem, a criança relatou que a mãe costumava trancá-lo durante o período noturno para, supostamente, impedir que ele tivesse acesso a alimentos, sob a justificativa de que ele seria diabético.
A realidade encontrada dentro do apartamento foi descrita pelas autoridades como insalubre, com presença de lixo e comida em decomposição. O menino, que utilizava uma garrafa plástica para realizar suas necessidades fisiológicas, apresentava um quadro de saúde delicado. Devido à desregulação severa de sua diabetes, com níveis de glicemia superiores a 500, ele foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad).
Investigação e desdobramentos legais
O delegado Eduardo Carrara, responsável pelo caso, destacou a gravidade da exposição da criança a riscos adicionais, como o manuseio de canetas de insulina sem supervisão adulta. A investigação aponta que o menino vivia em um estado de privação alimentar e de cuidados essenciais. O Conselho Tutelar agora trabalha em conjunto com o Juizado da Infância e da Juventude para avaliar a possibilidade de a criança passar a viver com o pai, atendendo a um desejo manifestado pelo próprio menino após o resgate.
Ao ser retirado do local, o menino expressou o desejo de ter uma vida melhor, frase que sintetiza a urgência de uma rede de proteção mais eficiente para casos de negligência familiar. O caso segue sob apuração das autoridades goianas. Para acompanhar o desenrolar desta e de outras notícias relevantes sobre a sociedade e os direitos fundamentais, continue acompanhando O Parlamento, seu portal de informação com credibilidade e compromisso com a verdade.
Para mais detalhes sobre as investigações, consulte a fonte oficial em G1 Goiás.




