Cesta básica encarece em 17 capitais brasileiras em junho, revela DIEESE

O custo da cesta básica registrou um aumento significativo na maior parte do Brasil em junho de 2026, conforme levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Os dados indicam que o conjunto de alimentos essenciais ficou mais caro em 17 das capitais brasileiras pesquisadas, enquanto apenas dez apresentaram alguma redução nos preços.
Essa tendência de alta nacional reflete a persistente pressão sobre o orçamento das famílias, que continuam a sentir o impacto da inflação nos itens de primeira necessidade. Mesmo em cidades onde houve recuo, como Goiânia, o valor da cesta básica permanece um desafio considerável para a renda dos trabalhadores.
Aumento generalizado e os destaques regionais
A pesquisa do DIEESE detalha que, entre as capitais analisadas, São Paulo manteve a liderança como a cidade com a cesta básica mais cara do país, atingindo R$ 965,47 em junho. Outras capitais com custos elevados incluem Cuiabá (R$ 937,93), Rio de Janeiro (R$ 920,94) e Florianópolis (R$ 918,42), evidenciando uma concentração de preços altos nas regiões Sul e Sudeste, além do Centro-Oeste.
Os maiores aumentos mensais foram observados em Boa Vista, com uma alta de 3,28%, seguida por Palmas (3,01%), Rio Branco (2,20%) e Porto Alegre (2,18%). Essa variação regional destaca a complexidade dos fatores que influenciam os preços, como logística, produção local e demanda específica de cada mercado.
Nas capitais das regiões Norte e Nordeste, que possuem uma composição ligeiramente diferente da cesta básica pesquisada, os menores custos médios foram registrados em Aracaju (R$ 630,40), São Luís (R$ 654,73), Maceió (R$ 671,41) e Natal (R$ 686,07). Contudo, é importante notar que, mesmo nessas localidades, o poder de compra da população é frequentemente menor, o que torna qualquer aumento de preço ainda mais impactante.
Perspectiva anual e o acumulado de 2026
A análise do DIEESE não se restringe ao mês de junho, revelando um cenário de alta contínua. Na comparação entre junho de 2025 e junho de 2026, 26 das capitais pesquisadas apresentaram elevação no custo da cesta básica. Os avanços mais expressivos foram em Cuiabá (14,71%), Aracaju (13,12%) e Belo Horizonte (12,52%), indicando uma deterioração do poder de compra ao longo do último ano. Apenas São Luís conseguiu manter uma relativa estabilidade, com uma variação de -0,09% no período.
O acumulado dos seis primeiros meses de 2026 reforça essa tendência preocupante: todas as capitais registraram aumento nos preços dos alimentos básicos. As elevações variaram de 4,02% em São Luís a expressivos 21,48% em Fortaleza, mostrando que a pressão inflacionária sobre os alimentos é um fenômeno generalizado e persistente em todo o território nacional.
O peso da cesta básica no salário mínimo
Um dos dados mais alarmantes do levantamento do DIEESE é o cálculo do salário mínimo necessário para suprir as despesas essenciais de uma família de quatro pessoas. Com base no valor da cesta básica mais cara do país, registrada em São Paulo, a estimativa para junho de 2026 aponta que o salário mínimo ideal deveria ser de R$ 8.110,92.
Esse valor representa mais de cinco vezes o piso nacional vigente, fixado em R$ 1.621,00, evidenciando a enorme defasagem entre a remuneração atual e o custo de vida. No mês anterior, a estimativa era de R$ 7.999,44, e em junho de 2025, de R$ 7.416,07, quando o salário mínimo oficial era de R$ 1.518,00. O cálculo do DIEESE considera gastos com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, conforme os parâmetros constitucionais.
Cenário em Goiânia: queda pontual em meio a altas
Apesar da tendência nacional de alta, Goiânia registrou uma queda de 0,54% no custo da cesta básica em junho, em relação ao mês anterior. Contudo, essa redução pontual não anula o impacto acumulado dos preços. O valor da cesta na capital goiana ficou em R$ 821,22, um montante que ainda compromete mais da metade da renda líquida de um trabalhador que recebe salário mínimo.
Em junho, oito dos 13 produtos pesquisados na capital goiana ficaram mais baratos, com destaque para a batata (-7,17%), tomate (-4,82%), café em pó (-4,82%), banana (-1,77%), arroz agulhinha (-1,11%), pão francês (-0,68%), óleo de soja (-0,40%) e açúcar cristal (-0,31%). A farinha de trigo manteve-se estável. Em contrapartida, quatro itens registraram aumento: feijão carioca (13,07%), manteiga (0,51%), carne bovina de primeira (0,49%) e leite integral (0,15%).
Para o trabalhador goianiense, a aquisição da cesta básica exigiu 111 horas e 27 minutos de trabalho em junho, uma pequena melhora em relação às 112 horas e quatro minutos do mês anterior. No entanto, após o desconto da Previdência Social, a compra da cesta comprometeu 54,77% da renda mensal líquida, sublinhando a vulnerabilidade das famílias de baixa renda diante dos custos dos alimentos.
Os dados do DIEESE reforçam a urgência de políticas que visem à estabilidade de preços e ao aumento real do poder de compra dos trabalhadores. Acompanhar de perto esses indicadores é fundamental para entender os desafios econômicos enfrentados pela população brasileira. Para mais análises e informações aprofundadas sobre economia e sociedade, continue acompanhando as publicações de O Parlamento, seu portal de notícias comprometido com a informação relevante e contextualizada.

