Samu tenta reanimar torcedor por mais de uma hora em Goiânia, mas morte é confirmada durante jogo do Brasil

A paixão pelo futebol, que deveria ser motivo de celebração, transformou-se em tragédia na tarde da última segunda-feira, 29 de julho, em Goiânia. Um torcedor, cuja identidade não foi revelada, faleceu após sofrer um mal-estar súbito enquanto assistia a um jogo da Seleção Brasileira em uma padaria no Setor Marista. O incidente mobilizou intensamente a equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que empregou esforços contínuos de reanimação por mais de uma hora, em uma luta desesperada contra o tempo.
O caso ganhou destaque não apenas pela fatalidade, mas pela dedicação dos profissionais de saúde. A médica Tânia Machado, do Samu, relatou ao g1 a complexidade do atendimento. Segundo ela, o processo de reanimação, que incluiu o uso de monitor cardíaco, durou cerca de 65 minutos. Nesse período crítico, o torcedor chegou a ter os batimentos cardíacos restabelecidos por quatro vezes, mas, em intervalos curtos, voltava a apresentar um ritmo de parada chamado fibrilação ventricular, um tipo grave de arritmia que impede o coração de bombear sangue eficazmente.
A luta contra o tempo: o atendimento emergencial em Goiânia
O drama começou por volta das 14h15, quando o homem passou mal, caiu da cadeira e bateu a cabeça no chão da padaria. A rápida ação de uma pessoa no local, que ligou para o socorro, foi crucial para acionar a cadeia de sobrevivência. A descrição inicial – homem roxo e sem respirar – alertou a médica socorrista Nágylla de La Rocha, que identificou imediatamente a provável parada cardiorrespiratória.
Enquanto a ambulância se deslocava para o local, cada segundo era vital. A médica Nágylla, em um exemplo de telemedicina de emergência, iniciou uma chamada de vídeo para orientar a pessoa que estava com o torcedor. Ela instruiu sobre a técnica correta de massagem cardíaca, enfatizando a necessidade de manter um ritmo acelerado e contínuo. “Mais rápido. Mais rápido. Mais rápido. Segue esse ritmo. A chance que ele tem é essa, tá? A viatura já está a caminho”, disse a médica, demonstrando a urgência e a importância da intervenção imediata.
A importância da orientação remota e a chamada de vídeo
A estratégia de orientação remota por chamada de vídeo, como a utilizada pela Dra. Nágylla, ilustra a evolução dos protocolos de emergência e a capacidade de resposta do Samu. Em situações de parada cardíaca, os primeiros minutos são decisivos. A massagem cardíaca realizada por um leigo, mesmo sem treinamento formal, pode aumentar significativamente as chances de sobrevivência até a chegada da equipe especializada.
A médica Nágylla de La Rocha reiterou em entrevista à TV Anhanguera que qualquer pessoa pode e deve realizar a massagem cardíaca em caso de emergência. Ela citou as diretrizes da American Heart Association, que reforçam a importância de manter a ligação telefônica com a central de emergência e iniciar as compressões imediatamente. “Se um paciente parar do seu lado e ficar irresponsivo, você chama: ‘Senhor, senhor’. Se ele não responde, não respira, ligue imediatamente para a central de emergência 192 e informe o que está acontecendo. Inicie as compressões imediatamente. É isso que salva vidas”, afirmou, destacando a simplicidade e a eficácia do procedimento.
Parada cardíaca súbita: um desafio à saúde pública
A parada cardíaca súbita é uma das principais causas de morte no mundo e representa um desafio constante para os sistemas de saúde. A fibrilação ventricular, condição apresentada pelo torcedor, é uma emergência médica que requer desfibrilação imediata para restaurar o ritmo cardíaco normal. No entanto, a disponibilidade de desfibriladores e a rapidez no atendimento são fatores críticos que nem sempre estão ao alcance imediato.
Este trágico episódio ressalta a importância de campanhas de conscientização e treinamento em primeiros socorros para a população geral. A capacidade de identificar uma parada cardíaca e iniciar a massagem cardíaca pode ser a diferença entre a vida e a morte, preenchendo a lacuna de tempo até a chegada do socorro profissional. O caso do torcedor em Goiânia, embora com um desfecho lamentável, serve como um lembrete pungente da fragilidade da vida e da necessidade de preparo para emergências.
O papel do Samu e a resposta a emergências
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) desempenha um papel fundamental na resposta a emergências médicas em todo o Brasil. Os profissionais do Samu são treinados para lidar com situações de alta complexidade e pressão, como a vivenciada em Goiânia. A dedicação da equipe, que não mediu esforços para tentar reverter o quadro do torcedor, reflete o compromisso desses trabalhadores com a vida humana, mesmo diante de prognósticos desfavoráveis.
A confirmação da morte do torcedor às 15h20, após mais de uma hora de tentativas de reanimação, encerrou um período de intensa esperança e trabalho árduo. Casos como este, embora dolorosos, reforçam a relevância do sistema de emergência e a necessidade contínua de investimento em treinamento, tecnologia e conscientização pública sobre primeiros socorros. A vida do torcedor não pôde ser salva, mas o empenho da equipe do Samu e a orientação remota demonstram a capacidade de resposta e a humanidade que permeiam o serviço.
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