Trajetória na engenharia: de estagiária a gestora em um setor majoritariamente masculino

A ascensão feminina em um setor historicamente masculino
A presença de mulheres em postos de comando dentro da engenharia civil ainda é um desafio que exige resiliência e constante afirmação de competências. Em um ambiente de trabalho tradicionalmente dominado pelo público masculino, a trajetória de Carolline Pelizzaro, gestora de Desenvolvimento Imobiliário da MRV em Goiás, ilustra não apenas uma conquista individual, mas uma mudança gradual no mercado brasileiro. Aos 29 anos, a engenheira reflete sobre a necessidade de validação constante que acompanha a carreira feminina, embora reconheça que o cenário atual já apresenta avanços significativos em relação a décadas anteriores.
A celebração do Dia Internacional das Mulheres na Engenharia, comemorado em 23 de junho, serve como um lembrete da importância de ampliar a representatividade no setor. Dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) revelam um desequilíbrio numérico expressivo: enquanto o Brasil contabiliza cerca de 244 mil mulheres com registro profissional na área, o contingente masculino supera a marca de 1,2 milhão. Goiás, estado onde atua a gestora, reflete essa realidade nacional, ocupando a décima posição no ranking de participação feminina, com 23% de representatividade.
De estagiária a gestora: uma jornada de sete anos
A vocação de Carolline para a engenharia manifestou-se ainda durante o ensino médio, impulsionada pelo interesse em processos técnicos e pelo desejo de atuar em projetos com impacto social. Sua formação acadêmica iniciou-se em 2014, em Goiânia, culminando na graduação em engenharia civil pela Universidade Paulista (Unip) no final de 2020. O ponto de virada profissional ocorreu em 2019, quando ingressou no programa de estágio da MRV, dando início a uma trajetória de sete anos dentro da companhia.
A progressão na carreira seguiu um ritmo de aprendizado contínuo. Após a conclusão do estágio, Carolline foi contratada como analista júnior em janeiro de 2021. A partir daí, a engenheira passou pelos cargos de analista pleno e consultora de Desenvolvimento Imobiliário antes de alcançar a posição de gestão que ocupa hoje. Para sustentar esse crescimento, a profissional complementou sua formação com um MBA em Incorporações e Negócios Imobiliários pelo IPOG, consolidando seu perfil técnico e estratégico.
Desafios, mercado e o futuro da profissão
O mercado imobiliário exige atualização constante em relação a legislações, tendências urbanísticas e inovações tecnológicas. Segundo a gestora, a capacidade de adaptação é um dos diferenciais fundamentais para quem deseja prosperar na área. Apesar dos obstáculos, como a necessidade de provar o próprio valor em ambientes ainda resistentes à liderança feminina, Carolline observa que o movimento de ocupação desses espaços é irreversível e positivo.
Para as jovens que pretendem ingressar na engenharia, o conselho é focado na persistência e na busca por conhecimento. A engenheira destaca que a profissão oferece um leque vasto de atuação, desde o canteiro de obras até a gestão de negócios e inovação. Ao olhar para trás, Carolline ressalta o orgulho de sua trajetória e a esperança de que sua história sirva como um catalisador para que outras mulheres busquem posições de destaque, transformando o setor de dentro para fora.
O Parlamento segue acompanhando as transformações no mercado de trabalho e o papel das lideranças femininas no desenvolvimento do país. Continue conosco para ler análises aprofundadas, reportagens sobre carreiras e as principais notícias que impactam o cenário nacional.




