Anápolis

Calvário de mãe venezuelana: busca de 5 dias pelo filho deportado e vítima de terremoto

A dor de uma mãe em busca de seu filho, somada à burocracia e à indiferença de um Estado, transformou-se em um calvário para Oswadeliz del Carmen Nuñez Ramirez, de 58 anos. Após a deportação de seu filho, Daniel Alejandro, de 28 anos, dos Estados Unidos para a Venezuela, e sua subsequente morte em terremotos que assolaram o país, Oswadeliz enfrentou cinco dias de agonia para localizar o corpo de seu primogênito. A saga, que ecoa a realidade de muitos venezuelanos em situação de vulnerabilidade, foi relatada por ela em 2 de julho de 2026 à Folhapress.

mae: cenário e impactos

Daniel era um dos 146 venezuelanos, entre adultos e crianças, que retornaram em um voo de deportação dos EUA e foram alojados em um prédio no estado de La Guaira. O local, que usualmente servia para acolher usuários de drogas e pessoas em situação de rua, havia sido adaptado para receber os imigrantes. Meia hora após a última ligação de Daniel para a mãe, dois terremotos gêmeos atingiram a Venezuela, e o edifício onde ele estava desabou, selando seu destino trágico.

A Última Conversa e a Tragédia Iminente

A última comunicação entre Oswadeliz e Daniel ocorreu por telefone, em uma breve chamada de quatro minutos, no dia 24 de maio, às 17h25. Foi nesse contato que a mãe soube que o filho havia chegado à Venezuela horas antes, ao meio-dia, após ser deportado dos EUA. Daniel mencionou estar em um hotel e que seria levado para casa no dia seguinte, mas não conseguiu recordar o nome do local. Essa conversa, embora curta, tornou-se um dos últimos elos de Oswadeliz com seu filho, um momento que ela agradece a Deus por ter acontecido, pois, do contrário, não teria sequer a certeza de seu retorno ao país.

Apenas trinta minutos após o término da ligação, a Venezuela foi atingida por dois fortes terremotos. A comunicação com Daniel foi interrompida abruptamente, e a angústia de Oswadeliz se instalou. Sem informações claras ou apoio das autoridades, a advogada venezuelana, natural de El Tigre, em Anzoátegui, iniciou sua própria e desesperada busca. A incerteza sobre o paradeiro e o estado de seu filho após o desastre natural transformou-se em um tormento.

O Calvário da Busca e a Indolência Estatal

Oswadeliz relata ter recebido informações desencontradas e nenhum apoio do Estado venezuelano. A missão

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