Flávio Bolsonaro defende Bolsa Família e aborda preconceito em debate sobre programas sociais

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) surpreendeu o cenário político ao fazer elogios públicos ao Bolsa Família, programa social historicamente associado ao governo Lula (PT), e ao mesmo tempo prometer aprimoramentos que visam garantir a permanência de beneficiários que conseguem ascender socialmente. Em um debate realizado em São Paulo, o parlamentar abordou a importância dos programas de transferência de renda e a necessidade de combater o preconceito contra seus beneficiários, marcando uma postura que busca dialogar com diferentes espectros da sociedade brasileira.
Durante o evento, que ocorreu em 15 de junho de 2026 e foi promovido pela revista Veja, Flávio Bolsonaro destacou a relevância do programa para a segurança e estabilidade das famílias em situação de vulnerabilidade. Ele também aproveitou a ocasião para apresentar Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo de Jair Bolsonaro, como parte de sua equipe de campanha, com foco na área de responsabilidade social e mobilidade.
A defesa do Bolsa Família e o combate ao preconceito social
Em seu discurso, o senador enfatizou que o Bolsa Família representa um “direito adquirido” dos brasileiros e que programas de auxílio a pessoas de baixa renda são uma realidade em “qualquer país do mundo”. Ele salientou a existência de um preconceito social contra os beneficiários e explicou a lógica por trás da “memória afetiva” que o programa gera.
“A gente tem que entender que tem uma memória afetiva, até. O Bolsa Família é estabilidade para quem já passou fome. A pessoa pensa o seguinte: ‘olha, se eu arrumar um trabalho de carteira assinada e eu perder o Bolsa Família, e se eu perder o meu trabalho, como é que eu vou ficar? Vou voltar para aquela época que eu passava fome de verdade’”, disse Flávio Bolsonaro. Ele defendeu que essa percepção de segurança é crucial e que o programa deve ser mantido e potencializado para estimular a inserção formal no mercado de trabalho, sem que o benefício seja um entrave.
Propostas econômicas e a equipe de campanha
Além da pauta social, Flávio Bolsonaro também se manifestou favorável à isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, uma proposta que já havia sido defendida pela campanha de seu pai em 2018. Contudo, ele criticou a forma como o atual governo Lula estaria implementando a medida, alegando falta de compensação fiscal.
“A única diferença é que, com Bolsonaro, certamente você teria uma compensação de abrir mão dessa receita quando você elevar o patamar da isenção do imposto”, afirmou o senador. Ele argumentou que, em uma gestão anterior, a medida seria implementada sem a necessidade de aumentar a carga tributária, diferentemente do que ele percebe como a estratégia do governo atual, que “esfola o público brasileiro” com impostos elevados.
A presença de Daniella Marques em sua equipe foi destacada. A ex-presidente da Caixa, elogiada por Flávio como a “melhor pessoa que tinha no time do Paulo Guedes”, atuará na estratégia de responsabilidade social e mobilidade. Sua experiência com programas de microcrédito voltados a mulheres, implementados durante a gestão Bolsonaro, foi citada como um trunfo para a campanha.
Construindo uma imagem e desafios políticos
O senador tem buscado construir uma imagem de “Bolsonaro moderado”, diferenciando-se de seu pai em alguns aspectos, como a relação com a imprensa. Ele reconheceu que o relacionamento com os veículos de comunicação foi um dos problemas do governo anterior e prometeu uma mudança radical em um possível futuro governo seu.
“O relacionamento com a imprensa, o preconceito muitas vezes de quem estava gerindo o orçamento para com relação a alguns veículos de comunicação. Isso, obviamente, tem que ser mudado radicalmente”, declarou. Essa postura sugere uma tentativa de ampliar o diálogo e a base de apoio, buscando uma comunicação mais fluida com a mídia.
Flávio Bolsonaro também foi questionado sobre o escândalo do Banco Master, após a revelação de áudios em que pedia dinheiro para financiar um filme sobre seu pai. Ele minimizou o ocorrido, afirmando que sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro foi “única e exclusivamente por causa do filme” e que se tratava de uma relação privada de investimento. O senador também abordou o aparente distanciamento de outras figuras da direita, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o deputado federal Nikolas Ferreira, atribuindo a ausência à fase inicial da campanha, quando a “massa do povo brasileiro não está atenta para isso ainda”.
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