Anápolis

Falsa equipe médica tenta extorquir R$ 6,8 mil de família de paciente com câncer em Anápolis

A vulnerabilidade de famílias com entes queridos hospitalizados, especialmente em tratamentos delicados como o câncer, tem se tornado um terreno fértil para criminosos. Em Anápolis, uma família viveu momentos de desespero e indignação ao ser alvo de uma sofisticada tentativa de golpe hospitalar, que quase resultou na perda de R$ 6,8 mil. O incidente, envolvendo uma falsa equipe médica do Ânima Centro Hospitalar, acende um alerta crucial sobre a importância da verificação e da segurança da informação em ambientes de saúde.

O caso veio à tona após a família procurar o Portal 6 para denunciar a ação dos golpistas. A trama se desenrolou na noite de uma quinta-feira, 11 de junho de 2026, enquanto Andreia (nome fictício), em tratamento contra um câncer, estava internada. A ligação, recebida por sua irmã e acompanhante, deu início a uma sequência de eventos que por pouco não resultou em um prejuízo financeiro e emocional ainda maior.

A Engenhosidade do Golpe e a Pressão Psicológica

O criminoso, apresentando-se como médico da unidade de saúde e utilizando o nome de um profissional real, contatou a acompanhante de Andreia. A narrativa do golpista era alarmante: a paciente estaria com uma bactéria grave, necessitando de exames urgentes, incluindo um PET-Scan, sob o risco de agravamento do quadro clínico e até mesmo de evolução para leucemia. A urgência era a tônica da conversa, com o falso médico insistindo na gravidade da situação e na impossibilidade de esperar.

O que mais impressionou e gerou credibilidade na abordagem foi o acesso do golpista a informações detalhadas sobre a paciente. Detalhes sobre o tratamento e a condição de Andreia foram citados, levando a família a acreditar na autenticidade da ligação. Essa posse de dados sensíveis levanta sérias suspeitas sobre possíveis vazamentos de informações dentro do ambiente hospitalar, um ponto de grande preocupação para a segurança dos pacientes e suas famílias.

Para justificar a necessidade do pagamento imediato, o criminoso alegou que o plano de saúde, o Ipasgo, demoraria a autorizar os procedimentos. A solução proposta era o pagamento via Pix, com a promessa de reembolso posterior pelo convênio. A pressão psicológica foi intensa, com o golpista afirmando que não havia tempo a perder e que, caso o pagamento não fosse feito, a família teria que assinar um “termo de responsabilidade pela morte” da paciente. Sete exames totalizariam R$ 6,8 mil, um valor que a família, em desespero, começou a mobilizar através de uma “vaquinha”.

A Descoberta e o Alerta Crucial

Em meio à correria para arrecadar o dinheiro, um ato de prudência da acompanhante mudou o rumo da história. Antes de efetuar a transferência via Pix, ela decidiu confirmar as informações diretamente com a equipe do hospital. Foi nesse momento que a farsa foi desmascarada: não havia qualquer solicitação de novos exames ou cobranças adicionais para o tratamento de Andreia. O médico responsável pela paciente, ao ser questionado, confirmou que os exames dela haviam dado bons resultados.

A descoberta ocorreu instantes antes de o dinheiro ser enviado, evitando um prejuízo significativo e uma dor de cabeça ainda maior para a família. A experiência serve como um poderoso lembrete da importância de sempre verificar informações críticas diretamente com fontes oficiais, especialmente quando envolvem pagamentos urgentes e saúde.

Suspeitas de Vazamento de Dados e Medidas Tomadas

A família da paciente expressou profunda preocupação com a possibilidade de que os golpistas tivessem acesso a prontuários ou informações privilegiadas dentro do hospital. “Quer dizer então que tem alguém dentro do hospital tendo acesso aos prontuário do paciente e informando para esses golpistas”, desabafou a denunciante, que preferiu não se identificar. Essa suspeita reforça a necessidade de rigorosos protocolos de segurança da informação em instituições de saúde.

Após o ocorrido, a família procurou o Ânima Centro Hospitalar, onde o caso foi registrado na Ouvidoria. A unidade de saúde informou que uma apuração interna, por meio de sindicância, seria realizada para investigar o incidente e a possível origem das informações vazadas. Além disso, a denunciante relatou que esta não é a primeira vez que um familiar é alvo de um golpe semelhante, mencionando um caso ocorrido há cerca de dois anos com um tio de seu cunhado, reforçando a persistência e a evolução dessas táticas criminosas. A Polícia Civil também foi acionada para formalizar a denúncia e iniciar uma investigação.

Orientações e Prevenção Contra o Golpe Hospitalar

Diante da crescente sofisticação dos golpes, é fundamental que a população esteja atenta e informada. Tanto o Ipasgo Saúde quanto o Ânima Centro Hospitalar emitiram comunicados importantes para orientar seus beneficiários e pacientes. O Ipasgo esclarece que não realiza cobranças diretas por meio de profissionais de saúde para exames ou procedimentos. Os serviços são faturados diretamente pelos hospitais e clínicas credenciadas à operadora. Em caso de abordagens suspeitas, a orientação é não efetuar pagamentos e registrar a ocorrência na Ouvidoria do Ipasgo pelo site ou telefone 0800 062 1920.

O Ânima Centro Hospitalar, por sua vez, reforça em suas redes sociais que não solicita pagamentos de pacientes internados por telefone ou meios eletrônicos. Todos os trâmites financeiros são realizados exclusivamente de forma presencial, pelo responsável legal, no Setor de Internação. A instituição orienta que qualquer telefonema ou solicitação de depósito/transferência relacionada a procedimentos hospitalares deve ser desconsiderado, e o contato imediato deve ser feito com o SAC do hospital pelo telefone (62) 3771-2700 ou e-mail sac@animahospitalar.com.br. Para mais informações sobre como se proteger de golpes, consulte as dicas de segurança da Polícia Civil.

Casos como o da família de Anápolis servem como um alerta contundente para a necessidade de vigilância constante e de desconfiança diante de pedidos de urgência e pagamentos não convencionais. A informação é a principal ferramenta para combater esses crimes e proteger os mais vulneráveis. O Parlamento segue acompanhando de perto os desdobramentos deste e de outros casos que impactam a segurança e o bem-estar da sociedade, comprometido em trazer informação relevante, atual e contextualizada para seus leitores.

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